São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Douglas Ruas enfrenta questionamentos sobre família, contratos e empresas

Candidato do PL é citado em investigações e auditorias que envolvem relações políticas, negócios privados e recursos públicos.

Rio de Janeiro - Acusações de ligação com milícia e política como negócio de família: conheça as suspeitas que cercam Douglas Ruas

Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, é alvo de questionamentos sobre a atuação política da família, contratos firmados pela Prefeitura de São Gonçalo e negócios de empresas ligadas a ele e à mulher. Também há apurações do Ministério Público do Rio de Janeiro e uma auditoria sobre contratos da Secretaria estadual de Cidades, que Ruas comandou entre 2023 e março de 2026.

As acusações não estabelecem que Douglas tenha cometido crime ou integrado milícia. No caso de seu pai, Capitão Nelson, um inquérito relacionado à CPI das Milícias de 2008 foi arquivado, sem condenação ou processo em curso por aquele episódio.

Família e influência política

Capitão Nelson é prefeito de São Gonçalo, enquanto Nelson Ruas Filho é vereador no município. Douglas ocupou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais durante a administração do pai antes de chegar à Assembleia Legislativa e ao governo estadual.

A pasta era responsável por convênios que permitiam ao município receber recursos estaduais e federais. Desde 2020, São Gonçalo recebeu R$ 250,5 milhões do chamado orçamento secreto. Para pavimentação, foram destinados R$ 17,2 milhões por indicação do deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL e ex-empregador de Douglas.

O pai de Douglas foi citado, a partir de informações do Disque-Denúncia, como suposto integrante de um grupo paramilitar durante a CPI das Milícias. Em 2024, porém, apresentou à Justiça Eleitoral uma certidão informando que não respondia a processo relacionado ao caso. Durante a carreira na Polícia Militar, Capitão Nelson recebeu mais de uma vez a chamada gratificação faroeste e integrou uma patrulha conhecida como carruagem do além.

Doação e contrato municipal

Carlos Freitas Neves doou R$ 160 mil à campanha de Douglas para a Alerj em 2022, tornando-se o segundo maior financiador individual da candidatura. Três anos depois, uma empresa controlada por Neves assinou contrato de R$ 732 mil com a Prefeitura de São Gonçalo, administrada por Capitão Nelson.

O acordo previa pagamentos mensais de R$ 61 mil pela locação de um imóvel para a Fundação Municipal de Saúde. A contratação ocorreu por dispensa de licitação, e a empresa havia sido constituída dois meses antes da assinatura.

Mariana Barbosa de Souza, mulher de Douglas, havia sido sócia de Neves em duas empresas. Ele deixou essas sociedades em agosto de 2025, antes da contratação. Douglas afirmou desconhecer o negócio e disse que não ocupava cargo na prefeitura naquele momento. A prefeitura declarou que a locação seguiu os procedimentos legais e atendia às necessidades da Fundação de Saúde.

Apurações sobre empresas e patrimônio

Em junho de 2026, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu uma apuração preliminar sobre a Saur Construção, Terraplanagem e Locação, da qual Douglas e o irmão são sócios, e a DM Invest, sociedade que envolve Douglas e Letícia Felício. O MPRJ pediu informações à Procuradoria-Geral do Estado sobre eventuais pagamentos às empresas. A PGE respondeu que não foram encontrados pagamentos às duas companhias.

Também há um inquérito civil aberto em maio de 2023 para investigar possíveis atos de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo Douglas e Thiago Saraiva, ex-secretário de Fazenda de São Gonçalo. Até agosto deste ano, o procedimento não havia sido concluído.

Entre 2023 e 2025, empresas ligadas a Douglas e à sua mulher compraram imóveis e precatórios avaliados, nas escrituras, em mais de R$ 15 milhões. A Saur, da qual Douglas detém 90%, adquiriu um galpão avaliado em R$ 5 milhões e outro imóvel de R$ 2,4 milhões. Em documento registrado na Junta Comercial, a empresa declarou R$ 19,6 milhões em lucros acumulados e previu a distribuição até 2028. A parcela de Douglas seria de aproximadamente R$ 15,9 milhões.

Contratos da Secretaria de Cidades

Uma auditoria sobre contratos da Secretaria estadual de Cidades apontou possíveis irregularidades e foi encaminhada às autoridades responsáveis. Um dos pontos analisados foi um aditivo de aproximadamente 45% em um contrato de recapeamento. O valor teria passado de R$ 99,7 milhões para R$ 144,9 milhões.

O relatório também mencionou relações empresariais envolvendo pessoas próximas a Altineu Côrtes. Como o deputado possui foro, o caso chegou à Procuradoria-Geral da República para avaliação sobre eventual investigação. Douglas e os demais citados negaram irregularidades.

A resposta da PGE não encontrou pagamentos públicos às duas empresas investigadas, e o inquérito relacionado ao pai de Douglas foi arquivado. Os episódios, ainda assim, colocam sob escrutínio a concentração de influência política em São Gonçalo, as relações empresariais da família e a gestão de recursos públicos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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