Augusto Cury (Avante) afirmou que pretende revisar individualmente os processos relacionados aos atos de 8 de Janeiro caso seja eleito presidente. Ele disse que quer receber, já na primeira semana de governo, um relatório sobre os casos e avaliou que a maioria das pessoas ainda presas ou submetidas a medidas de restrição deveria estar fora da prisão.
O candidato também defendeu a revisão de penas que considera excessivas e afirmou que advogados deveriam provocar o Judiciário para reavaliar condenações. Ao comentar a caracterização dos atos, disse que alguns analistas identificam intenção de golpe, mas não sua concretização. Citou o ex-ministro José Múcio e outros juristas como referências para essa avaliação.
Propostas para o Supremo
Em sabatina da Jovem Pan realizada nesta segunda-feira, 7, Cury sustentou que o Senado deve discutir pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, agentes públicos não devem ter proteção contra responsabilização e uma condenação deveria resultar em afastamento. “Ninguém deve ser protegido. Ninguém está acima da lei”, declarou.
Cury voltou a propor a redução do número de integrantes do STF, de 11 para 9. Segundo ele, a ideia tem como referência a Suprema Corte dos Estados Unidos. Também criticou a atuação do Congresso, que classificou como “muito frágil” diante do Supremo, e afirmou que, em algumas situações, a Corte legisla ou se aproxima de legislar sobre temas que deveriam ser tratados pelo Legislativo.
O candidato disse esperar que o presidente do STF, Edson Fachin, atue com independência, celeridade e justiça em questões relacionadas à Corte. Ele também afirmou que indicará 2 mulheres ao Supremo se for eleito.
Estado e empresas estatais
Na área econômica, Cury defendeu um Estado mínimo, fiscalmente responsável, enxuto e capaz de acelerar processos como a concessão de licenças. Disse ser contrário à intervenção excessiva do Estado, mas também à ausência de Estado associada ao presidente da Argentina, Javier Milei.
O candidato afirmou que pretende privatizar estatais consideradas ineficientes. Citou os Correios como uma possibilidade, caso a empresa não possa ser recuperada financeiramente, e disse que um terço da companhia deveria ser destinado a um fundo dos próprios funcionários. Para ele, o governo não deve sustentar indefinidamente uma empresa deficitária.
Cury descartou aplicar a mesma lógica à Petrobras. Defendeu que recursos recebidos pelo governo como acionista sejam usados para oferecer crédito mais barato a microempresas. Segundo ele, seria possível financiar 1 milhão de microempresas por ano com esse dinheiro.
Apoio político
Cury disse que não pretende formar um governo por meio de um balcão de negócios ou distribuir cargos entre partidos. Afirmou manter conversas com Marcos Pereira, Renata Abreu, Aécio Neves, Paulinho da Força, Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite, mas ressaltou que isso não representa convite para uma eventual gestão.
O candidato declarou que pretende montar um “time de ouro”, escolher nomes por competência e especialidade e não buscar carreira política. Ao tratar da disputa presidencial, disse que pretende derrotar Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu vou aposentar o Lula”, afirmou.







