O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) propôs a criação do cargo de primeiro-ministro e uma mudança no sistema presidencialista brasileiro. Ele afirmou que a discussão deveria começar no Congresso já na primeira semana de um eventual governo.
Após uma reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Cury disse que o presidencialismo concentra decisões em presidentes que, muitas vezes, não têm experiência nos setores sobre os quais precisam atuar. Na avaliação dele, o modelo também contribui para problemas de desenvolvimento na América Latina e se aproxima do populismo, do autoritarismo e da permanência prolongada no poder.
Pela proposta, o presidente teria uma função estratégica, principalmente na política externa. O primeiro-ministro ficaria voltado à gestão econômica, com defesa de meritocracia, Estado enxuto, baixos impostos e estímulo ao empreendedorismo, combinado a uma dimensão social.
“Um presidente no estratégico, que tivesse capacidade para lidar com a política externa, e um primeiro-ministro que tivesse uma mente capitalista notável, com meritocracia, Estado enxuto, baixos impostos, um país mais empreendedor, mas com coração social”, afirmou.
Cury disse que conversa com os economistas Mansueto Almeida e Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper, e que pretende procurar outros nomes para discutir a formação de uma eventual equipe de governo. Também citou Mauro Benevides e afirmou que ainda pretende conversar com Ilan Goldfajn e Armínio Fraga, ex-presidentes do Banco Central.
O candidato declarou que pretende formar um “time de ouro” com especialistas de diferentes áreas. Segundo ele, a equipe não representaria um governo centrado em sua própria pessoa. Cury também voltou a dizer que não pretende fazer carreira política e que deseja atuar como uma transição para um novo modelo de governo.
Sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), Cury apoiou o “Manifesto à Nação Brasileira”, divulgado por cerca de 3 mil entidades do setor produtivo lideradas pela Fiesp. O documento cobra uma análise urgente e pública de fatos recentes envolvendo integrantes da Corte, com transparência e imparcialidade. Segundo os organizadores, as entidades representam cerca de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 40 milhões de empregos.
Cury afirmou que eventuais atos ilícitos cometidos por integrantes do STF devem ser investigados e julgados até as últimas consequências. Ao mencionar o ministro Alexandre de Moraes, disse que uma irregularidade grave, se comprovada e suficiente para comprometer sua permanência no cargo, deveria levar ao impeachment ou à saída da função. Ele ressaltou que não fazia um julgamento antecipado.
O candidato também cobrou rapidez na análise do caso e disse esperar uma definição ainda em setembro. “Eu espero que agora, neste mês de setembro, isso já esteja resolvido”, declarou. Para Cury, ministros do Supremo e demais ocupantes de cargos públicos devem responder à sociedade.







