BRASÍLIA — A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu desculpas ao país pela exposição pública de desavenças e ataques entre integrantes da Corte. Ela afirmou que deveria ter tomado alguma iniciativa para tentar impedir que a situação chegasse ao nível observado nesta terça-feira, durante uma sessão extraordinária marcada por bate-bocas.
Ao votar uma questão de ordem sobre o adiamento ou não do julgamento envolvendo supostas ligações de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, Cármen disse estar em “estado de profunda consternação e tristeza”. A ministra afirmou que o Judiciário provocou “mal-estar cívico” nos brasileiros nos últimos dias e declarou ter ficado envergonhada com a atenção dirigida ao STF a menos de 20 dias das eleições.
Cármen avaliou que os ministros não conseguiram assegurar rigor e serenidade ao processo. Também disse que não contribuiu o suficiente para acalmar os ânimos e conduzir melhor o caso. “Acho que houve uma espetacularização desses casos, desta sessão, mesmo, que não faz mal apenas ao Supremo nem ao Poder Judiciário, faz mal ao País”, afirmou.
Divergências sobre investigações
A ministra negou sofrer pressões como juíza e rejeitou a ideia de que manifestações públicas influenciem os votos dos magistrados. Para ela, a fórmula de arquivar investigações a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), defendida por Moraes e Cristiano Zanin, é autoritária.
Cármen votou contra a reunião das petições relativas a Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso do Banco Master e contra a redistribuição da relatoria. Foi o quarto voto nessa posição, acompanhando o presidente do STF, Edson Fachin, além de Mendonça e Luiz Fux.
Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram em sentido contrário. Flávio Dino acompanhou Gilmar, mas pediu vista e não registrou sua posição. Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos.
A sessão analisa uma petição sobre a possibilidade de investigação de Moraes por supostas mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Antes do mérito, os ministros discutem uma questão apresentada por Gilmar, que contesta a relatoria assumida por Fachin e defende a associação do processo de Mendonça ao de Moraes.







