São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Críticas ao Supremo ganham espaço em anúncios pagos de candidatos

Levantamento encontrou 5.677 anúncios sobre o STF e seus ministros, com investimento de até R$ 2,9 milhões na Meta.

Críticas ao Supremo ganham espaço em anúncios pagos de candidatos

Candidatos de diferentes campos políticos passaram a usar anúncios pagos para explorar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as peças identificadas, 74% adotaram tom crítico à Corte ou a Alexandre de Moraes, com menções a impeachment, censura, perseguição e autoritarismo.

Até 10 de setembro, foram encontrados 5.677 anúncios no Facebook e no Instagram, classificados pela Meta como políticos, eleitorais ou relacionados a temas sociais. O conjunto movimentou até R$ 2,9 milhões. A propaganda eleitoral com impulsionamento pago foi autorizada a partir de 16 de agosto.

A concentração das peças aumentou depois de 3 de setembro, quando André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que apontou Moraes como interlocutor do banqueiro Daniel Vorcaro. Dos anúncios identificados, 4.519, ou 79,6%, começaram a ser veiculados entre 3 e 10 de setembro. Nesse intervalo, os gastos chegaram a R$ 1,9 milhão.

Candidaturas exploram a crise

Gustavo Gayer (PL), candidato ao Senado por Goiás, afirmou em um anúncio: “O Brasil não pode continuar com Alexandre de Moraes no STF. Não há justiça”. Também foram identificadas peças de Ubiratan Sanderson (PL), no Rio Grande do Sul, e Wellington Callegari (DC), no Espírito Santo.

O tema também apareceu em campanhas de esquerda, embora com outro enquadramento. Áurea Carolina (PSOL), candidata ao Senado por Minas Gerais, defendeu maior fiscalização sobre o STF e disse que os ministros devem responder por suas condutas, mas rejeitou o impeachment como “armação golpista”.

Na disputa para a Câmara, Zoe Martínez (PL), em São Paulo, impulsionou conteúdo que pedia investigação de Moraes e mencionava alterações em metadados de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

No Rio de Janeiro, Jandira Feghali (PCdoB) direcionou críticas a André Mendonça. Em anúncio de 8 de setembro, contestou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e declarou que a democracia estava em risco.

Decisões no Supremo

A divulgação do relatório ocorreu após mensagens de Moraes com Daniel Vorcaro. Depois disso, Moraes requisitou à Polícia Federal relatórios de inteligência sobre a atuação de Mendonça no inquérito das fake news e acusou o colega de crimes.

Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Flávio Dino ordenou a reintegração dos dois. Em seguida, Edson Fachin suspendeu os atos, manteve Andrei no cargo e transferiu para a Presidência do STF a relatoria do inquérito, antes conduzido por Moraes.

O presidente da Corte convocou sessão plenária extraordinária para 15 de setembro. Os ministros devem avaliar a validade do relatório da Polícia Federal e a possibilidade de abertura de investigação contra Moraes.

A crise também chegou aos atos de rua. Anúncios pagos convocaram apoiadores para as manifestações de 7 de Setembro, que tiveram críticas a Moraes entre as principais bandeiras. Campanhas de Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) incorporaram questionamentos à atuação do Supremo.

Para Leandro Consentino, professor do Insper, a presença do STF na propaganda reflete a centralidade de Moraes na polarização política. “A figura de Alexandre de Moraes tem uma centralidade para os dois grupos”, afirmou.

O STF não se manifestou.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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