São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Alcolumbre mobiliza alianças e obras para conter avanço de Furlan no Amapá

Presidente do Senado reúne partidos, prefeitos e recursos federais enquanto ex-prefeito lidera pesquisa para o governo estadual.

Alcolumbre mobiliza alianças e obras para conter avanço de Furlan no Amapá

Davi Alcolumbre (União Brasil) mobiliza sua influência em Brasília para tentar preservar o controle político de seu grupo no Amapá, diante da liderança do ex-prefeito de Macapá Dr. Antônio Furlan (PSD) na disputa pelo governo estadual. A preocupação se relaciona também à reeleição de Alcolumbre ao Senado, prevista para 2030.

O senador indicou dois ministros de Estado, controla recursos de emendas parlamentares e mantém influência sobre cargos federais, incluindo a direção da Codevasf. A estatal foi levada ao Amapá durante sua atuação política para executar obras e distribuir máquinas. Alcolumbre também conta com o apoio de 90% dos deputados estaduais e federais, 15 dos 16 prefeitos do estado, do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do governador Clécio Luís (União Brasil).

Na eleição, o grupo do presidente do Senado formou uma coligação com 12 partidos. O presidente Lula esteve no Amapá durante a campanha. Furlan, por sua vez, tem o apoio de quatro partidos, mas aparece à frente nas pesquisas. Levantamento realizado entre 21 e 24 de agosto mostra o ex-prefeito com 55% das intenções de voto, contra 35% de Clécio Luís.

Obras e popularidade na capital

Furlan foi reeleito prefeito em 2024 com 85% dos votos. A capital concentra 55% dos 577 mil eleitores do estado, enquanto outros 15% estão na região metropolitana. O ex-prefeito promoveu shows gratuitos, ampliou sua presença nas redes sociais e executou obras em Macapá. Com o discurso de “prefeitão”, promete levar “seu modelo de gestão” para o restante do Amapá.

Alcolumbre não disputa o governo, mas atua diretamente na campanha. Em 14 de agosto, passou quatro horas em uma feira em Macapá, distribuindo abraços, ouvindo demandas e dançando brega. No local, respondeu a um produtor de mel de Laranjal do Jari que pediu energia para sua comunidade: “Precisa da subestação, vamos resolver. Eu sei tudo, eu sei tudo”.

Em Itaubal, a cem quilômetros da capital, moradores associam o senador à chegada de investimentos federais. Uma UBS foi reformada, um conjunto habitacional com 21 casas foi construído e uma escola municipal está em obras, com financiamento de emendas parlamentares vinculadas a Alcolumbre. O município também recebeu praças, escolas, calçamento e uma nova sede para a prefeitura.

A dependência da economia local em relação ao poder público, porém, aparece nos relatos de moradores sobre a distribuição de oportunidades de trabalho em obras públicas a parentes, amigos e aliados de representantes locais. Alcolumbre afirma que pretende reverter a desvantagem eleitoral. “Nós vamos vencer pela política. Anota o que eu digo, vamos virar”, declarou.

Disputa judicial

A trajetória política de Furlan ganhou força após a eleição municipal de 2020. Naquele ano, apagões atingiram o Amapá, e uma declaração de Alcolumbre sobre os efeitos da falta de energia contribuiu para a vitória do adversário sobre seu irmão, Josiel Alcolumbre.

Furlan assumiu a prefeitura com R$ 87 milhões em emendas parlamentares e R$ 381 milhões da privatização do saneamento. Os recursos haviam sido planejados para a administração de Josiel, mas foram usados pelo novo prefeito em obras na capital. Em 2022, essas realizações quase levaram Alcolumbre à derrota em uma eleição disputada contra a esposa de Furlan, Rayssa.

Agora, Rayssa é apontada como favorita a uma das vagas ao Senado. Aliados de Alcolumbre avaliam que a mudança no governo estadual poderia fortalecer o grupo adversário e facilitar a aproximação com prefeitos e deputados.

A disputa também envolve o Judiciário. O principal aliado de Furlan, que era vice-prefeito de Macapá, está afastado desde março por decisão do STF. A prefeitura passou a ser comandada por um aliado de Alcolumbre.

O Ministério Público Eleitoral acusa Furlan de tentar contornar a Lei da Ficha Limpa ao renunciar ao cargo, em março deste ano, depois de um pedido de impeachment motivado por uma agressão a um jornalista. O candidato afirma que a Câmara Municipal, controlada por um aliado do senador, fraudou o protocolo e acelerou o processo.

A candidatura de Furlan foi autorizada, mas um recurso tramita no TSE, sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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