BRASÍLIA — A Advocacia-Geral da União (AGU) avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A estratégia em análise é apresentar uma suspensão de liminar, instrumento examinado diretamente pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
A medida permitiria que a AGU evitasse a Segunda Turma do STF, que já formou maioria pela manutenção da liminar concedida por André Mendonça. O órgão deve apresentar o recurso ainda nesta terça-feira, 8, sob o argumento de que o Supremo não pode afastar o chefe da PF. Para a AGU, a decisão interfere na competência privativa do presidente da República para nomear e exonerar o diretor da corporação.
Considerada “excepcionalíssima” no Supremo, a suspensão de liminar é raramente utilizada para interromper decisões de ministros da própria Corte. Em 2020, o então presidente do STF, Luiz Fux, suspendeu decisão de Marco Aurélio que havia determinado a soltura de André Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap. O plenário do tribunal confirmou a decisão posteriormente.
Medidas determinadas por Mendonça
Na decisão desta terça-feira, Mendonça também afastou o diretor de inteligência da PF, Leandro Almada da Costa. O ministro determinou que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos penais e administrativo-disciplinares para investigar os “graves fatos identificados” na elaboração de relatórios de inteligência.
Na última quinta-feira, 3, dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo das investigações sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, Moraes divulgou trechos de um relatório de inteligência da PF. O documento afirma que André Mendonça “denota interesse no início de investigação formal” sobre o Banco Master e o escândalo do INSS.
O relatório, sem valor probatório, aponta ainda diferenças nas posturas de Mendonça diante de suspeitas relacionadas a Dias Toffoli e Nunes Marques, em comparação com Alexandre de Moraes.







