São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Perfil dos abstencionistas pode mexer na margem presidencial, aponta BTG

Estudo estima que a diferença entre esquerda e direita mudaria até 2,1 pontos porcentuais se todos votassem em 2022.

Perfil dos abstencionistas pode mexer na margem presidencial, aponta BTG

Entre os 31 milhões de eleitores que não votaram no segundo turno de 2022, 54% tinham no máximo o ensino fundamental, contra 38% dos que compareceram. A diferença de perfil ajuda a explicar por que a abstenção pode alterar o resultado de uma eleição presidencial apertada, segundo estudo do BTG Pactual.

O levantamento também aponta uma distância relevante na idade: 26% dos abstencionistas tinham 70 anos ou mais, enquanto essa faixa representava 5% dos eleitores que votaram. Para o banco, a escolaridade foi a característica que mais modificou a margem entre esquerda e direita nas simulações.

Simulações sobre 2022

O BTG usou dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e realizou quatro exercícios. Em um deles, reponderou uma pesquisa Datafolha de agosto pela taxa histórica de abstenção dos diferentes grupos. O resultado deslocou a margem em 0,7 ponto porcentual; sexo, idade e região tiveram efeitos menores.

Em outra simulação, o banco considerou que todos os eleitores aptos teriam votado e que os ausentes apresentariam comportamento compatível com seu perfil. Nesse cenário, a margem entre esquerda e direita teria sido 2,1 pontos porcentuais maior em uma especificação e 1,4 ponto em outra. A diferença entre os resultados decorre principalmente da escolaridade.

O estudo considera que o efeito é limitado, mas pode pesar em uma disputa decidida por poucos pontos. Nos segundos turnos presidenciais de 2014 e 2022, as diferenças foram de 3,3 e 1,8 pontos porcentuais, respectivamente.

Segundo turno para governador

A análise das seis eleições presidenciais com segundo turno desde 2002 indicou que, nos Estados sem disputa para governador na segunda rodada, a abstenção presidencial aumentou, em média, 1,1 ponto porcentual a mais. Quando os eleitorados estaduais foram ponderados por tamanho, a diferença caiu para 0,3 ponto porcentual. Nos municípios com mais de 50 mil eleitores, o efeito ficou próximo de zero.

A associação também perdeu força ao longo do tempo. Entre 2002 e 2010, o aumento estimado da abstenção presidencial foi maior; entre 2014 e 2022, caiu para 0,4 ponto no painel dos Estados.

Para este ano, o BTG trabalha com um cenário em que 13 Estados definiriam o governador no primeiro turno. Pelos coeficientes de todo o período, a abstenção presidencial nacional aumentaria 0,19 ponto porcentual. Considerando apenas as três eleições mais recentes, o efeito seria nulo ou levemente negativo.

Os analistas Tiago Berriel e João Aveiro escreveram que “o canal existe e costuma ser citado, mas os dados sugerem que hoje ele é quantitativamente pequeno”. O estudo estima que o impacto sobre a margem presidencial seria de apenas alguns centésimos de ponto porcentual e não avaliou se uma disputa estadual poderia deslocar votos para o candidato presidencial do mesmo campo político.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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