WASHINGTON — A inteligência artificial será um dos principais pontos de tensão nas conversas entre Xi Jinping e Donald Trump, em um momento de disputa entre China e Estados Unidos pela liderança nessa tecnologia. As negociações devem abordar também Irã e comércio, mas há pouca expectativa de um acordo para regular o avanço da IA.
Nas tratativas preliminares de domingo, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o ministro chinês He Lifeng discutiram a criação de um canal de comunicação dedicado às preocupações sobre a tecnologia. Bessent também anunciou que a trégua comercial entre os dois países será estendida até janeiro.
Jonathan Czin, do Instituto Brookings, afirmou que a distância entre as posições dos governos reduz as chances de resultados concretos. Analistas disseram que a China já considera o cenário posterior ao segundo mandato de Trump, que termina no início de 2029, e usa a pausa nas disputas comerciais para fortalecer sua posição.
Recepção e programação
Xi chegou a Washington nesta quarta-feira (23) para uma visita de Estado de três dias. Trump o recebeu na Base Andrews, nos arredores da capital americana. A iniciativa é incomum: quando o presidente dos Estados Unidos esteve em Pequim, em maio, foi recebido pelo vice-presidente chinês.
A agenda inclui um show aéreo militar e uma saudação com 21 tiros de canhão. Na noite de quinta-feira, a Casa Branca oferecerá um banquete com a presença de empresários e integrantes da elite política americana. A visita terminará na manhã de sexta-feira, com um chá para os dois casais presidenciais e uma passagem pelos Arquivos Nacionais, que abrigam a Declaração de Independência dos Estados Unidos.
A recepção provocou críticas entre integrantes do Partido Republicano contrários à China, especialmente após relatos de que Pequim teria fornecido ao Irã informações de inteligência para ataques contra tropas americanas. O senador Roger Wicker, presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, disse: “Nosso comandante em chefe deve ter em mente que seu convidado é um ditador brutal, não eleito e opressor”.
O secretário de Estado, Marco Rubio, defendeu a reunião: “Os líderes das duas principais potências armamentistas precisam conversar”. Taylor Rogers, subsecretário de Imprensa da Casa Branca, afirmou que Trump age de acordo com os interesses nacionais dos Estados Unidos.
A visita também ocorre enquanto Trump enfrenta problemas internos relacionados ao impacto da guerra com o Irã sobre os preços dos combustíveis e à queda de sua aprovação antes das eleições legislativas de novembro. As recepções de líderes estrangeiros por presidentes americanos no aeroporto são raras. Entre os precedentes citados estão John F. Kennedy e Harold Macmillan, em 1962, e Dwight D. Eisenhower e Nikita Khruschov, em 1959.







