A Autoridade Palestiniana informou que Mahmoud Abbas deverá participar por videoconferência da próxima Assembleia-Geral da ONU, depois de os Estados Unidos negarem vistos ao presidente e a dezenas de responsáveis palestinianos. Diplomatas já acreditados junto das Nações Unidas continuarão a representar os palestinianos na reunião de alto nível, em Nova Iorque.
A decisão repete a restrição aplicada no ano passado, quando Abbas também foi impedido de viajar e participou do encontro remotamente. A Assembleia-Geral deverá votar uma medida para permitir novamente esse formato.
Justificativas e reação palestiniana
O Departamento de Estado dos EUA afirmou que os responsáveis palestinianos não cumpriram compromissos assumidos em acordos anteriores para buscar a paz com Israel. O órgão também disse que as sanções serão prolongadas devido à falta de reformas e a atividades que, na avaliação americana, prejudicam as perspectivas de paz.
“As restrições vão além do próprio Abbas”, afirmou o departamento ao informar que as medidas alcançam membros da OLP e responsáveis da Autoridade Palestiniana. A notificação citada no caso menciona a Secção 212(a)(3)(B) da lei de imigração norte-americana, que impede a emissão de vistos a pessoas associadas a atividades terroristas ou a uma organização terrorista.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros palestiniano classificou a decisão como “uma medida injustificada que contraria os esforços para reconstruir a confiança, desenvolver as relações palestiniano‑norte-americanas e criar o clima político necessário para aplicar a solução dos dois Estados e alcançar paz e estabilidade”.
Washington manterá uma derrogação que permite à Missão palestiniana junto da ONU continuar funcionando a partir de Nova Iorque. A medida foi anunciada em um momento em que vários países devem reconhecer o Estado palestiniano durante a Assembleia-Geral deste ano.
Em 2025, França reconheceu oficialmente o Estado da Palestina. Reino Unido, Austrália, Luxemburgo, Bélgica, Portugal, Malta e Canadá aderiram à decisão. Quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU reconhecem a Palestina.
Quando a restrição foi imposta pela primeira vez, no ano passado, governos europeus criticaram a medida. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chamou a decisão de “injusta” e afirmou, na plataforma X, que a Palestina tem o direito de se manifestar nas Nações Unidas e em fóruns internacionais.







