São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Estudo aponta que tilacino caçava presas pequenas com mordida veloz

Análise do crânio indica que o animal tinha estratégia de caça mais próxima à do lobo-guará do que à de lobos e grandes predadores.

Estudo aponta que tilacino caçava presas pequenas com mordida veloz

O tilacino, também conhecido como lobo-da-tasmânia ou tigre-da-tasmânia, provavelmente caçava presas pequenas e ágeis, e não animais de grande porte, como ovelhas. A conclusão é de um estudo que analisou a estrutura de seu crânio e comparou o animal com diferentes mamíferos predadores.

A pesquisa foi coordenada por Vera Weisbecker, da Universidade Flinders, e publicada no periódico Nature Communications. O trabalho examinou a geometria craniana de exemplares de tilacino (Thylacinus cynocephalus) e de outras espécies de carnívoros e marsupiais, grupo ao qual o animal pertencia.

Os últimos tilacinos morreram em 1936, na ilha australiana da Tasmânia. A espécie foi dizimada sob a justificativa de que representava risco para rebanhos de ovelhas. Para os pesquisadores, porém, a anatomia do animal não corresponde à de um predador especializado em atacar animais domésticos de grande porte.

Crânio grande e mandíbula veloz

Em vida, o tilacino tinha porte semelhante ao de um cão doméstico de tamanho médio. Media 60 cm de altura nos ombros, chegava a 1,3 m de comprimento sem a cauda, que podia alcançar 60 cm, e pesava, em média, 17 kg.

Embora seu crânio lembrasse superficialmente o de um lobo ou cachorro de focinho comprido, a análise detalhada mostrou uma combinação incomum de características. O animal tinha cabeça grande, maxilar comprido e alto e focinho alargado, com formato semelhante ao de uma clava.

A equipe identificou uma possível vantagem funcional nessa estrutura. Uma mandíbula mais longa aumenta a velocidade de movimento da ponta durante a mordida, elevando o impacto do ataque. “Achamos que o enorme tamanho do crânio do tilacino permitia que ele suportasse a força dessas mordidas”, afirmou Weisbecker.

A estratégia teria paralelo em outros vertebrados. “Muitos crocodilos e peixes predatórios têm maxilares e mandíbulas compridos e que se fecham com rapidez, usados para capturar presas ágeis, como peixes”, disse a pesquisadora.

Comparação com o lobo-guará

O padrão de caça do tilacino pode ter sido mais parecido com o do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) do que com o de lobos e outros superpredadores. A comparação, porém, é limitada: o lobo-guará inclui frutas nativas do cerrado em sua dieta, enquanto os tilacinos, com base na dentição e em descrições feitas até o começo do século 20, aparentemente se alimentavam exclusivamente de carne.

Entre as presas prováveis estavam os bandicoots, marsupiais do tamanho de coelhos, de focinho afilado, orelhas pontudas e hábitos noturnos.

A dentição também enfraquece a hipótese de que o tilacino fosse um caçador de ovelhas. Seus caninos se assemelhavam aos dos quolls, marsupiais menores cujas mordidas penetram e soltam, em vez de segurar a presa. Lobos rasgam os tecidos e puxam, enquanto felinos penetram a carne e mantêm a presa presa.

Para Weisbecker, a espécie foi perseguida por uma interpretação sem evidências suficientes sobre seu comportamento. “Os tilacinos foram caçados por causa do mito de que eram predadores ferozes do gado”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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