SÃO PAULO — As tentativas de María Corina Machado para retornar à Venezuela chegaram a sete, após duas novas operações organizadas no Panamá. A líder da oposição tentou voltar ao país três vezes na terça-feira (22), mas não conseguiu, informou sua equipe. Ela deixou a Venezuela no fim do ano passado e permanece exilada.
Pedro Urruchurtu, assessor de María Corina, afirmou que as duas iniciativas mais recentes — uma por mar e outra por ar — elevaram o total de fracassos. As três últimas ocorreram em menos de 24 horas, depois do cancelamento de um plano de viagem marítima.
A equipe primeiro procurou um voo para Aruba, mas o pouso não foi autorizado. Depois, tentou embarcar em voos para Curaçao e Bonaire; nenhum dos dois recebeu permissão para pousar. María Corina usou um passaporte diplomático panamenho emitido por razões humanitárias, informou o jornal espanhol ABC.
Tentativas por diferentes rotas
O histórico inclui deslocamentos por ar, terra e mar. Em 26 de junho, o avião privado que levava María Corina a Curaçao recebeu instrução para retornar aos Estados Unidos ainda durante o voo, após uma comunicação americana ao piloto. Dias depois, ela tentou viajar em um voo comercial da Copa Airlines para Caracas, mas a companhia havia sido advertida sobre possíveis sanções caso a transportasse.
Também houve um plano por terra, que não chegou a ser executado, e uma combinação de trajetos aéreo e marítimo. Em 21 de setembro, uma pequena embarcação sairia do Panamá, atravessaria o Canal e seguiria por dois dias até o Caribe. O plano foi cancelado horas antes por causa de um problema no motor.
María Corina deixou a clandestinidade em dezembro, quando viajou escondida para a Noruega para receber o Nobel da Paz. Depois de uma breve passagem pelos Estados Unidos, instalou-se na Cidade do Panamá.
Contexto político
As novas tentativas ocorreram enquanto Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela, se reunia com Donald Trump à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Foi o primeiro encontro presencial entre os dois desde que uma operação militar americana capturou Nicolás Maduro, em janeiro.
Críticos dizem que o governo Trump abandonou as exigências por eleições livres em favor de acordos de petróleo e investimentos com Delcy. María Corina contestou o acordo petrolífero entre Washington e Caracas. Após os terremotos que atingiram a Venezuela em julho, autoridades americanas teriam pedido reservadamente que ela adiasse o retorno. A volta ao país continua incerta.








