SEUL — O governo da Coreia do Sul atribuiu a minas norte-coreanas as explosões que feriram três soldados na Zona Desmilitarizada (DMZ) na semana passada. O ministro da Defesa, Kang Shin-chul, afirmou que o episódio viola o armistício e que Seul adotará medidas correspondentes, sem detalhar quais serão as ações.
Um dos militares perdeu um pé nas explosões. A DMZ é uma faixa fortemente minada que separa as duas Coreias desde o armistício de 1953. Os limites norte e sul da zona estão entre as fronteiras mais fortificadas do mundo, e incidentes com minas já elevaram as tensões entre os países.
Kang declarou que as forças sul-coreanas atuavam na área para remover minas antes de uma operação com o Comando da ONU. O objetivo era avaliar mudanças no terreno provocadas por forças norte-coreanas ao sul da Linha de Demarcação Militar, que marca a fronteira de fato entre os dois países.
Investigação no local
Segundo o ministro, as equipes usavam os modelos mais recentes de detectores, mas a vegetação densa dificultou a operação. A avaliação apresentada por ele é que as minas podem não ter sido localizadas porque os equipamentos eram operados muito acima do solo.
Uma inspeção realizada na terça-feira encontrou uma mina antipessoal de plástico norte-coreana que não havia explodido, segundo Yang Jin-hyeok, do Estado-Maior Conjunto. Kwon Dae-won, vice-presidente do órgão, havia informado na segunda-feira que duas minas explodiram no incidente de 21 de setembro e que uma terceira foi localizada sem detonar durante a retirada dos soldados.
A avaliação sul-coreana considerou a cratera, o padrão das chamas e a gravidade dos ferimentos. Seul e Pyongyang permanecem tecnicamente em guerra, porque o conflito coreano terminou com uma trégua, e não com um tratado de paz.
Desde 2024, o Exército norte-coreano passou a instalar minas e construir barreiras antitanque ao longo da fronteira, depois de Kim Jong-un designar a Coreia do Sul como inimigo principal. Em 2015, uma explosão no lado sul da DMZ feriu gravemente dois soldados sul-coreanos, um deles com perda das duas pernas. Seul acusou tropas norte-coreanas de instalar as minas, mas Pyongyang negou. O episódio levou a Coreia do Sul a retomar transmissões de propaganda por alto-falantes na fronteira.







