O governo russo criticou a Iniciativa de Dissuasão Nuclear Avançada, proposta francesa para ampliar treinamentos e cooperação militar nuclear com outros países europeus. A reação ocorreu nesta terça-feira, 15, um dia depois de a Finlândia anunciar sua entrada no programa.
Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, classificou a iniciativa como uma política “imprudente” e disse que ela cria riscos para o país. “Claro que isso está criando riscos para nós. E, claro, precisamos manter isso sob controle”, afirmou.
A Finlândia compartilha 1.300 quilômetros de fronteira com o território russo. Ao justificar a adesão, o governo finlandês declarou que o projeto amplia a responsabilidade da Europa por sua própria defesa e contribui para prevenir uma escalada. O país integra a Otan desde 2023, depois de abandonar décadas de neutralidade em resposta à postura russa na região.
Pelo plano, a França faria exercícios conjuntos com os países participantes e permitiria, pela primeira vez, o pouso temporário de aeronaves francesas equipadas com armamento nuclear em território dos aliados. A proposta não prevê a instalação permanente de ogivas fora da França nem uma garantia automática de retaliação coletiva, ao contrário do Artigo 5º da Otan.
Adesão e capacidade nuclear
Em março, o presidente Emmanuel Macron formalizou a iniciativa e defendeu uma revisão das regras de segurança do continente e do mundo. O projeto ganhou força após Donald Trump sinalizar um compromisso mais fraco dos Estados Unidos com a defesa coletiva da aliança atlântica, levando governos europeus a reavaliar sua dependência da proteção militar americana.
Dez governos já aderiram em algum nível. A França possui cerca de 370 ogivas nucleares de fabricação própria, segundo a Associação para o Controle de Armas. Os arsenais da Rússia e dos Estados Unidos são estimados em 5.420 e 5.042 unidades, respectivamente, considerando ogivas operacionais, armazenadas e em processo de desmantelamento.
Líderes europeus que apoiam o projeto afirmam que ele complementa, mas não substitui, os compromissos dos países com a Otan. A iniciativa ocorre em meio às mudanças na segurança regional observadas desde a última década e agravadas pela guerra na Ucrânia, iniciada em 2022.







