CEUTA — Um relatório da Polícia Nacional espanhola aponta que agentes marroquinos participaram da entrada massiva de migrantes em Ceuta no fim de julho, em contraste com a versão apresentada pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ao Congresso.
Segundo o documento, policiais marroquinos teriam conduzido os migrantes até a fronteira sob ordens de agentes à paisana. O relatório também menciona uma “permissividade” das autoridades marroquinas durante o deslocamento de milhares de pessoas.
A crise ocorreu quando cerca de 70 mil pessoas cruzaram a fronteira entre Ceuta e Marrocos em menos de 48 horas. O episódio deixou mais de 80 vítimas mortais, segundo as informações reunidas no relatório.
Versões em conflito
Na última quinta-feira, Sánchez afirmou aos deputados que “não há provas concretas de que Marrocos tenha planeado ou orquestrado” a entrada dos migrantes. O primeiro-ministro disse que nenhuma entidade ou organismo internacional havia fornecido ao governo espanhol evidências concretas de uma operação planejada por Rabat.
A oposição acusa Sánchez de ter ocultado informações e exige explicações de Marrocos. O possível envolvimento das autoridades marroquinas permanece no centro do debate político na Espanha.
Apesar de rejeitar a existência de provas sobre uma operação organizada por Rabat, Sánchez criticou declarações de dois ministros marroquinos que reivindicaram direitos sobre Ceuta e Melilla, territórios espanhóis no norte da África. O governo espanhol convocou o embaixador marroquino em 21 de agosto.
Sánchez também afirmou que as duas cidades continuarão sob soberania espanhola e pediu ao rei Felipe VI que visite os enclaves nas próximas semanas. A última visita registrada de um monarca espanhol ocorreu em 2007 e provocou uma crise diplomática com Marrocos, que reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla.







