MAURITÂNIA — As ruínas de Ouadane preservam um traçado urbano do século 12 no centro do deserto mauritano. Construída principalmente em pedra, a cidade mantém ruas reconhecíveis apesar de séculos de abandono parcial e da exposição às condições do Saara.
Ouadane surgiu como ksar nos séculos 11 e 12, na borda sul do planalto de Adrar. O termo designa vilarejos fortificados do norte da África. A cidade funcionava como posto avançado do comércio transaariano e controlava parte do fluxo de mercadorias transportadas pelas caravanas que cruzavam aquela rota.
Sal e arquitetura de pedra
Entre os produtos que passavam por Ouadane estavam blocos de sal extraídos das minas de Idjil. O material tinha alto valor comercial na África medieval e era usado na conservação de alimentos e no comércio de longa distância. A posição da cidade como intermediária desse transporte ampliava sua importância dentro das rotas que ligavam diferentes regiões do continente.
A escolha da pedra também contribuiu para a permanência das estruturas. Ouadane e o vizinho ksar de Chinguetti foram construídos com esse material, mais resistente que o pisé, técnica baseada no barro compactado e comum em cidades vizinhas da mesma rota. O resultado é a preservação do desenho urbano de uma cidade caravaneira, ainda legível no deserto.
Conjunto reconhecido pela Unesco
Em 1996, a Unesco reconheceu Ouadane ao lado de Chinguetti, Tichitt e Oualata. Os quatro ksour atendiam diferentes trechos das rotas de comércio e peregrinação transaarianas. Em comum, tinham uma mesquita com minarete quadrado, casas agrupadas em ruas estreitas e fortificações ao redor dos núcleos urbanos.
A areia, porém, avança sobre o assentamento histórico e ameaça soterrar partes da cidade antiga. A conservação envolve tanto a restauração das estruturas de pedra quanto a contenção do processo de assoreamento que pode cobrir trechos do traçado ainda visível.







