Sam Altman, CEO da OpenAI, e Dario Amodei, CEO da Anthropic, defenderam nesta quarta-feira (23) uma cooperação internacional maior para lidar com os riscos associados ao avanço da inteligência artificial. Os executivos participaram de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas dedicada à tecnologia.
A manifestação ocorreu um dia depois de Donald Trump rejeitar mecanismos internacionais para controlar o desenvolvimento da IA. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos afirmou que seu país continuará incentivando o avanço da tecnologia e que não pretende frear seu crescimento.
Na reunião do Conselho de Segurança, Altman sustentou que países concorrentes, mesmo quando não mantêm boas relações, podem trabalhar juntos diante de tecnologias capazes de produzir impactos significativos. “Acreditamos que este deve ser um desses momentos”, afirmou o executivo, ao defender que a IA seja tratada como uma questão de cooperação internacional.
Segurança e coordenação entre empresas
A aproximação entre Altman e Amodei ocorre apesar de OpenAI e Anthropic serem concorrentes diretas no desenvolvimento de modelos avançados de IA. No início de setembro, o CEO da Anthropic publicou uma proposta para que a indústria desacelere o ritmo de desenvolvimento dos chamados modelos de fronteira.
Amodei argumentou que o aumento das capacidades desses sistemas poderia superar a capacidade de empresas e governos de compreender e controlar os riscos. A proposta prevê acesso de avaliadores independentes aos sistemas das companhias, maior coordenação entre as empresas e cooperação internacional para reduzir os riscos associados à tecnologia.
Altman também manifestou apoio público a um ritmo mais controlado para o desenvolvimento da IA de fronteira. A discussão ganhou força após episódios envolvendo modelos avançados e preocupações sobre a capacidade desses sistemas de executar ações potencialmente prejudiciais.
Além dos executivos, representantes da Hugging Face e especialistas ligados ao painel científico independente da ONU sobre IA participaram ou foram convidados para a sessão. O encontro discutiu o uso malicioso da tecnologia e a possibilidade de perda de controle sobre sistemas avançados.
Divergência com Trump
Trump rejeitou a criação de mecanismos internacionais de controle e afirmou que os Estados Unidos não deveriam impedir o crescimento da IA. “Não vou impedir o crescimento de algo que será maior do que a Revolução Industrial”, disse o presidente.
Ele também classificou como “esquema globalista” qualquer tentativa de estabelecer controle internacional sobre a tecnologia e defendeu que os Estados Unidos mantenham o avanço no setor. Segundo Trump, o país que dominar primeiro essa área terá uma vantagem estratégica.
O governo estadunidense passou ainda a defender o uso do termo “superinteligência” em documentos oficiais, em lugar de “inteligência artificial”.
Competição e pressão comercial
O debate na ONU também envolve a competição tecnológica entre Estados Unidos e China. As propostas discutidas buscam conciliar mecanismos de segurança com o receio de que regras muito restritivas prejudiquem o desenvolvimento e a competitividade das empresas.
A OpenAI passou a defender padrões internacionais para avaliar capacidades e riscos de sistemas avançados, além de maior cooperação entre Estados Unidos e China em temas de segurança da IA.
OpenAI e Anthropic ampliam seus negócios enquanto avaliam possíveis ofertas públicas de ações. As empresas não divulgaram oficialmente quando uma eventual abertura de capital poderia ocorrer, embora sejam apontadas como candidatas a realizar grandes IPOs.
Esse cenário coloca as companhias diante de uma tensão entre a defesa pública de maior cautela e a pressão comercial para ampliar a capacidade de seus modelos. Amodei afirma, porém, que desacelerar não significa interromper o desenvolvimento da tecnologia, mas criar mecanismos de avaliação e coordenação capazes de acompanhar a evolução dos sistemas.







