ISLA MUJERES, MÉXICO — Richart “Rishi” Sowa construiu uma plataforma habitável sobre a água usando cerca de 150 mil garrafas PET, redes, paletes de madeira, terra e plantas. A Joyxee Island foi instalada próxima ao litoral de Isla Mujeres, no Caribe mexicano, e funcionou como residência e espaço aberto a visitantes.
As garrafas fechadas foram reunidas dentro de redes para formar módulos de flutuação. Esses conjuntos ficaram sob paletes, que serviram de base para as camadas superiores. Com o avanço da obra, Sowa acrescentou areia, terra e matéria orgânica, além de incorporar novas redes de garrafas às bordas da estrutura.
As estimativas sobre a quantidade de recipientes variam, mas a ilha costuma ser descrita como feita com mais de 100 mil unidades. A plataforma deixou de ser apenas uma balsa e passou a abrigar uma casa de três pavimentos, áreas de cultivo, pequenos lagos, espaço de circulação e sistemas simples ligados à energia solar e ao movimento das ondas. Registros do projeto também mencionam internet, uma máquina de lavar movimentada pelas ondas, uma cachoeira e o cultivo de hortaliças e ervas. A área chegou a aproximadamente 8 mil pés quadrados.
Mangues e outras plantas foram cultivados sobre a base de plástico para criar sombra, matéria orgânica e uma cobertura viva. As raízes atravessavam as camadas superiores e se misturavam à madeira e às garrafas. O plantio não convertia o plástico em solo natural nem eliminava os riscos ambientais do material, mas ajudava a formar uma superfície vegetada e a consolidar partes da ilha.
Outros projetos e o fim da estrutura
A Joyxee não foi a primeira ilha flutuante construída por Sowa. Antes dela, ele criou a Spiral Island, perto de Puerto Aventuras, usando aproximadamente 250 mil garrafas. A estrutura foi destruída pelo furacão Emily em 2005, e o projeto foi retomado em outro ponto do litoral, na região de Isla Mujeres.
Embora parecesse um refúgio isolado, a Joyxee ficava próxima da costa e recebia visitantes por meio de uma embarcação feita com materiais reaproveitados. Sowa buscava reduzir a dependência de infraestrutura externa com energia solar, cultivo de alimentos e soluções mecânicas simples, mas a ilha não era totalmente independente do continente.
Tempestades danificaram a estrutura ao longo do tempo. Registros posteriores informam que autoridades locais determinaram sua remoção, e o local já era descrito como fechado para visitantes em 2019. A experiência mostrou uma forma artesanal de reaproveitar resíduos para produzir flutuação, sem eliminar os desafios de manutenção, segurança e impacto ambiental.







