Uma câmera que atravessou cerca de 900 metros de gelo na Antártida registrou uma comunidade de animais fixos no fundo do mar, em uma área sem luz solar e isolada do oceano aberto. O equipamento fazia parte de uma expedição para coletar um testemunho de sedimentos sob a plataforma de gelo Filchner-Ronne.
A operação foi interrompida quando uma grande rocha bloqueou o equipamento. A câmera, porém, conseguiu filmar a superfície do bloco, que estava coberta por animais semelhantes a esponjas. O registro durou menos de um minuto, mas permitiu identificar pelo menos duas formas de esponjas, incluindo uma estrutura alongada, além de outros organismos ainda não classificados.
Vida em uma área sem luz
A rocha está sob aproximadamente 900 metros de gelo e 500 metros de água. Também fica a cerca de 260 quilômetros do oceano aberto. Como animais fixos dependem normalmente de partículas e nutrientes transportados pelas correntes, os cientistas esperavam encontrar pouca vida em uma região tão distante das áreas produtivas do oceano.
A presença dos organismos levanta a possibilidade de que as correntes marinhas transportem alimento por distâncias maiores do que se imaginava. O registro também representa a primeira observação de uma comunidade de animais fixos instalada em uma rocha escondida em grande profundidade sob uma plataforma de gelo antártica.
Sem amostras, ainda não foi possível identificar definitivamente os organismos nem determinar como eles conseguem sobreviver naquele ambiente. A combinação de escuridão permanente, centenas de metros de água, quase 1 quilômetro de gelo acima e distância do oceano aberto mantém em aberto as principais perguntas sobre a comunidade.
Os cientistas precisam investigar se o transporte de nutrientes pelas correntes é suficiente para sustentar esses animais ou se eles possuem mecanismos de sobrevivência ainda desconhecidos. As imagens podem indicar que há uma área mais ampla de vida escondida sob o gelo, mas o alcance dessa comunidade ainda não foi determinado.







