Um relatório da Polícia Federal aponta a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o beneficiário final ou proprietário de fato do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento ficou sob sigilo por sete meses, sob relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, e foi revelado na sexta-feira, 10.
A investigação indica que os recursos foram transferidos para as Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe, por meio de uma operação com a holding Egide I. Toffoli nega envolvimento com o fundo, amizade com Vorcaro ou recebimento de valores do banqueiro. Ele também não havia se manifestado sobre a eventual posse de recursos no exterior.
O fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, empreendimento ligado à família de Toffoli. Segundo o relatório, o fundo pertencia a Vorcaro, mas mudou de proprietário e passou a ser controlado por um empresário amigo do ministro. Depois, seus ativos foram transferidos para as Ilhas Virgens Britânicas.
Relação societária e mensagens
Toffoli é sócio da empresa Maridt, que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu parte dessa participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como acionista.
Mensagens trocadas em maio de 2024 mostram Vorcaro cobrando Zettel sobre os repasses ao resort. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. Em agosto de 2024, ele voltou a perguntar sobre os pagamentos. Zettel respondeu que havia transferido o dinheiro ao intermediário responsável, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.
Nas conversas, Vorcaro afirmou que a demora havia causado um problema e perguntou onde estava o dinheiro. Zettel respondeu que os recursos estavam no fundo proprietário do Tayayá e disse que transferiria as cotas. Para prestar contas, Vorcaro pediu o levantamento dos aportes feitos no resort. Zettel informou: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.
O relatório afirma que, analisados em conjunto, os elementos identificados indicam que José Antonio Dias Toffoli pode ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen e de seus ativos.







