São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

PF relata pressão de Vorcaro no BC contra regra que afetaria estratégia do Master

Mensagens analisadas pela PF indicam que Paulo Sérgio Neves de Souza atuava informalmente em favor dos interesses do banqueiro.

PF relata pressão de Vorcaro no BC contra regra que afetaria estratégia do Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, pediu ajuda a Paulo Sérgio Neves de Souza para tentar impedir mudanças nas regras de investimentos de fundos de previdência. À época, Paulo Sérgio era chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central (BC).

A alteração poderia afetar a estratégia do Master de vender letras financeiras a regimes de previdência complementar de servidores públicos. As informações estão em relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A divulgação dos documentos foi determinada pelo ministro André Mendonça, a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte.

Em 24 de maio de 2024, Vorcaro escreveu que precisava de “ajuda do Bacen num tema”. Segundo a PF, ele relatou que grandes bancos atuavam na Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) para retirar instituições classificadas como S3 de uma lista de investimentos institucionais.

O grupo Master era enquadrado pelo regulador como um conglomerado de crédito diversificado, de pequeno porte e pertencente ao segmento S3 da regulação prudencial. Seus ativos correspondiam a 0,1% a 1% do Produto Interno Bruto, enquanto sua participação era de 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do sistema financeiro nacional.

Vorcaro afirmou que a mudança, combinada com uma nova regra do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), prejudicaria os negócios do banco. Dezoito entidades de previdência aplicaram R$ 1,87 bilhão em letras financeiras do Master. Essas aplicações representavam até 20% do patrimônio de regimes de previdência de estados e municípios e não tinham garantia do banco.

Entre os maiores investidores estavam o Rioprevidência, responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores do estado do Rio, com R$ 970 milhões; a Amprev, do Amapá, com R$ 400 milhões; e o Iprev de Maceió, com R$ 97 milhões.

“Isso aliado à nova regra do FGC é uma grande sacanagem e atrapalha muito”, escreveu Vorcaro. A PF classificou o episódio como um pedido para que Paulo Sérgio interviesse junto ao BC em defesa dos interesses do banqueiro.

O diálogo reproduzido no relatório mostra Paulo Sérgio dizendo que seria necessário acompanhar a publicação dos atos relacionados ao tema e verificar o enquadramento do Master. Para a PF, as mensagens integram um conjunto que indica a atuação do ex-diretor como consultor informal de Vorcaro dentro do Banco Central.

Paulo Sérgio foi diretor de Fiscalização do BC entre 2017 e 2023 e depois assumiu a chefia-adjunta do Departamento de Supervisão Bancária. As conversas analisadas pela PF começaram em outubro de 2023 e também trataram de operações envolvendo empresas do conglomerado, como Voiter, Will Bank e Letsbank.

O relatório cita ainda Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Segundo a PF, ele teria prestado consultoria a Vorcaro, discutido documentos do Master e criado, em 2 de outubro de 2025, um grupo com o banqueiro e Paulo Sérgio para facilitar a comunicação entre os envolvidos.

A investigação também aponta que Vorcaro teria custeado viagens, jantares internacionais e pagamentos aos dois servidores. Entre os deslocamentos mencionados estão uma viagem de Belline com a esposa para Paris e outra de Paulo Sérgio para a Disney, nos Estados Unidos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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