São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Inquérito aponta pagamentos de R$ 12 milhões a servidores do Banco Central

Sindicâncias do Banco Central relacionam contratos e negócios imobiliários a empresas ligadas a Daniel Vorcaro; defesas negam irregularidades.

Inquérito aponta pagamentos de R$ 12 milhões a servidores do Banco Central
Foto: Reprodução/Instagram@bellinesantana/Beto Nociti/BCB

Documentos do inquérito do Banco Master apontam que dois servidores do Banco Central teriam recebido R$ 12 milhões de empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, teria sido beneficiado com R$ 8 milhões, enquanto Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária, teria recebido R$ 4 milhões. Ambos estão afastados de suas funções desde 9 de janeiro.

As suspeitas constam de documentos cujo sigilo foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal. As defesas dos servidores negam o recebimento de valores relacionados ao banco e afirmam que eles não atuaram para favorecer o Master dentro do Banco Central.

Negócios atribuídos a Paulo Sérgio

Uma sindicância patrimonial do Banco Central analisou a venda do sítio Mirante, em Juruaia, Minas Gerais, por Paulo Sérgio a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O servidor informou ao Banco Central, em janeiro deste ano, que o negócio havia sido fechado por R$ 4,8 milhões e que só descobriu o parentesco entre Zettel e o banqueiro cerca de um ano depois, durante a lavratura da escritura.

A apuração interna, porém, registrou que o valor do negócio teria sido de R$ 5,2 milhões e que não havia indicativos de que o comprador tivesse assumido a posse da propriedade. Paulo Sérgio e seu irmão, Luís Roberto, também teriam recebido R$ 1 milhão pela compra da safra de café do sítio, em duas parcelas de R$ 500 mil para cada um.

Paulo Sérgio vendeu ainda uma casa em Guaxupé por R$ 1,52 milhão à Noah Empreendimentos, controlada por Zettel e administrada por Luís Roberto. Segundo os investigadores, o irmão seria um laranja de Paulo Sérgio no negócio. O servidor também foi ressarcido em R$ 276 mil pela compra de aparelhos de ginástica instalados no imóvel.

O relatório final da comissão de sindicância, assinado em 5 de março, apontou indícios de enriquecimento ilícito, conflito de interesses, improbidade administrativa, violação dos deveres funcionais, recebimento de vantagem indevida e corrupção.

A defesa de Paulo Sérgio afirma que as transações foram legítimas, que os pagamentos foram declarados e que não houve relação comercial com Daniel Vorcaro. Também nega que o servidor tenha recebido vantagens do Banco Master ou favorecido os interesses do banqueiro.

Contratos envolvendo Belline Santana

Belline Santana assinou dois contratos de R$ 2 milhões cada com a Varajo Consultoria Empresarial, empresa cujo único sócio e administrador é o advogado Leonardo Palhares. O primeiro contrato foi firmado em 17 de outubro de 2023; o segundo, em 28 de agosto de 2024.

A sindicância apontou que Palhares também era diretor da Super Empreendimentos e Participações, empresa que teria vínculos com Vorcaro. Fabiano Zettel era sócio e havia sido diretor da Super Empreendimentos.

Relatório da Polícia Federal anexado ao processo afirma que Belline tratou diretamente com Vorcaro sobre o contrato, embora o documento tenha sido assinado por Palhares. Depois de mensagens trocadas entre Vorcaro e Zettel sobre a contratação, Vorcaro teria determinado o pagamento da primeira parcela de Belline por meio da empresa de Palhares.

O primeiro contrato previa um projeto de inclusão financeira de jovens. Em uma manifestação inicial, Belline afirmou ter recebido, ao longo de 2023, duas parcelas semestrais de R$ 500.000,00. No depoimento formal, prestado duas semanas depois, e na apuração da comissão, a versão passou a indicar quatro parcelas mensais de R$ 500 mil entre outubro de 2023 e janeiro de 2024.

O segundo contrato previa estudos e um ciclo de palestras. A sindicância registrou pagamentos de R$ 500 mil em setembro de 2024 e R$ 500 mil em outubro, além de dez parcelas de R$ 100 mil entre março e dezembro de 2025. O ciclo de palestras não teria ocorrido; houve um webinário com cerca de 20 participantes. Belline listou como entregas uma logomarca, perfis no LinkedIn e no Instagram, divulgação nas redes sociais e o webinário.

Em 29 de janeiro deste ano, seis dias depois de prestar depoimento, Belline comunicou a Palhares que desistiria do projeto. Para a comissão, o encerramento do contrato de R$ 2 milhões ocorreu de forma incompatível com o valor envolvido.

Encaminhamento das apurações

Com base nas sindicâncias, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, encaminhou as apurações à Controladoria-Geral da União. O envio foi comunicado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em ofício de 11 de março assinado por Galípolo e pelo procurador-geral do Banco Central, Cristiano Cozer.

A defesa de Belline afirma que ele desenvolveu um projeto social de inclusão de jovens no mercado financeiro, chamado JOVENS POTENTES, contratado pela Varajo Consultoria. Segundo o advogado Leonardo Palazzi, Belline não tinha conhecimento de vínculos entre a empresa, Palhares ou a Câmara E-Net e Daniel Vorcaro ou o Banco Master.

A defesa também sustenta que as conversas entre Belline e Vorcaro estavam relacionadas às atribuições de supervisão bancária e não indicam favorecimento ou interferência indevida. Afirma ainda que Belline não aceitou viagens ou serviços de concierge ligados a Vorcaro.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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