O dólar subia nesta sexta-feira (4), enquanto a Bolsa avançava, após o mercado de trabalho dos Estados Unidos apresentar desempenho acima das projeções. O resultado reduziu a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, e elevou a pressão sobre ativos de mercados emergentes.
Às 13h40, a moeda americana avançava 0,28%, para R$ 5,117. No mesmo horário, o principal índice acionário brasileiro subia 0,60%, aos 186.309 pontos. O cenário eleitoral brasileiro limitava a valorização do dólar e permanecia no radar dos investidores.
Emprego americano supera projeções
A economia dos Estados Unidos abriu 162 mil vagas fora do setor agrícola em agosto, informou o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. A taxa de desemprego ficou em 4,1%.
Economistas esperavam a abertura de 55 mil vagas. As estimativas iam de uma redução de 25 mil empregos a um ganho de 121 mil vagas. O resultado, portanto, superou o teto das projeções.
O dado reforçou a avaliação de que a atividade americana continua aquecida e pode reduzir a necessidade de estímulos monetários. “Com o mercado de trabalho mostrando resiliência, diminui a necessidade de o Fed estimular a economia pelo lado do emprego e aumenta o espaço para manter os juros elevados por mais tempo, especialmente enquanto a inflação ainda exige cautela”, afirmou Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos.
A próxima decisão do Fed sobre os juros está marcada para 15 e 16 de setembro. A taxa americana está atualmente entre 3,5% e 3,75%.
Na quinta-feira (3), o diretor do Fed Christopher Waller disse que pode defender a manutenção dos juros neste mês caso a inflação dê sinais de recuo. O CPI de agosto será divulgado em 11 de setembro. Já o PCE, medida de inflação preferida pelo Fed, está previsto para 30 de setembro.
A sinalização de Waller divergiu da avaliação atribuída ao presidente do Fed, Kevin Warsh, que afirmou na última semana, em Jackson Hole, que o banco central terá trabalho a fazer se a inflação não voltar à meta de 2%.
Juros americanos mais altos tendem a tornar ativos denominados em dólar mais atrativos, reduzir a vantagem do carry trade brasileiro e elevar o prêmio exigido para investimentos no Brasil. O movimento também impulsionou o dólar e os Treasuries no pregão.
Pesquisas eleitorais influenciam ativos
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (3) mostrou Luiz Inácio Lula da Silva com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Lula aparece numericamente à frente, por 46% a 44%, resultado considerado empate técnico pela margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
Duas semanas antes, Lula tinha 39% no primeiro turno, ante 33% de Flávio. Na simulação de segundo turno, os percentuais eram 47% e 43%, respectivamente.
A pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (2), também apontou empate técnico no segundo turno, com 42% para Lula e 41% para Flávio Bolsonaro. Em 14 de agosto, os dois registravam 43% e 40%, respectivamente.
A percepção de uma possível alternância de poder tem favorecido os ativos domésticos nos últimos pregões. Para Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, a recuperação da competitividade de Flávio Bolsonaro tem contribuído para o desempenho da moeda brasileira e pressionado a taxa de câmbio para baixo.
O cenário também inclui o desgaste do Supremo Tribunal Federal. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram divulgadas na terça-feira (1º). A retirada do sigilo da investigação, determinada pelo ministro André Mendonça, indicou que Vorcaro havia perguntado a Alexandre de Moraes se deveria deixar o país.
Na quinta-feira, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade em casos relacionados ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social. A avaliação apresentada por Leonel é que o episódio pode favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro, historicamente crítico ao Supremo.








