São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Credores da holding do Master apontam dívidas de US$ 1,064 bilhão em Cayman

Liquidante diz não haver recursos para pagar despesas do processo e avalia medidas nos Estados Unidos para localizar ativos e documentos.

Credores da holding do Master apontam dívidas de US$ 1,064 bilhão em Cayman

A Titan Capital Holding, empresa ligada ao Banco Master nas Ilhas Cayman, realizou a primeira reunião com credores desde o início da liquidação judicial. A Grant Thornton, responsável pelo processo, informou que cinco credores apresentaram provas de dívidas que somam US$ 1,064 bilhão (R$ 5,43 bilhões), ainda sujeitas a análise.

O relatório apresentado na quarta-feira (9) afirma que não há dinheiro disponível nas Ilhas Cayman. A falta de recursos também impede o pagamento integral dos serviços da própria Grant Thornton. Os honorários acumulados chegam a US$ 572,8 mil (R$ 2,9 milhões), enquanto advogados externos têm a receber outros US$ 89 mil (R$ 454 mil).

A liquidante busca financiamento de terceiros para cobrir as despesas e convidou credores interessados a financiar o processo a se manifestarem. Na reunião, também foram discutidas a formação de um comitê de credores e a análise do primeiro relatório da liquidação.

Busca por ativos e documentos

O levantamento da Titan indicou que os possíveis recursos estão relacionados a participações acionárias em subsidiárias brasileiras e a fundos de investimento ligados ao Master. Advogados contratados nas Ilhas Cayman, nos Estados Unidos e no Brasil notificaram mais de 70 partes envolvidas no caso, incluindo bancos, custodiantes e executivos. A maioria dos livros e registros financeiros solicitados ainda não foi entregue.

A Grant Thornton avalia pedir a abertura de uma ação de falência transfronteiriça com base no Chapter 15 da legislação de falências dos Estados Unidos. O objetivo seria reconhecer em território americano a liquidação realizada nas Ilhas Cayman, proteger ativos e exigir a entrega de registros mantidos por instituições e agentes nos EUA.

A Titan tem como único acionista Daniel Vorcaro, que controlava o Master. Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Luiz Antonio Bull aparecem como diretores. Os dois eram executivos do banco no Brasil, respondem a processos criminais, têm bens bloqueados no país e não responderam aos pedidos de esclarecimento dos liquidantes.

A empresa mantém uma inscrição ativa de contribuinte não residente no Brasil, sob o CNPJ 57.265.362/0001-21, aberta em 12 de setembro de 2024. O registro foi feito originalmente com a razão social Master Holding – Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., denominação associada ao operador financeiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.

Investigações da Polícia Federal e dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontaram que a Sefer, como braço brasileiro da Titan, foi usada para triangular repasses suspeitos para a Entre Investimentos, empresa de intermediações financeiras de Freixo. O operador firmou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República, ainda pendente de homologação pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Relação com a liquidação do Master

A EFB Regimes Especiais, liquidante extrajudicial do Banco Master no Brasil, apontou que a Titan esteve no centro de um suposto esquema de esvaziamento patrimonial. Segundo a instituição, a holding recebeu mais de R$ 700 milhões do banco entre janeiro e julho de 2025, antes da liquidação pelo Banco Central, em novembro.

As duas liquidantes buscam coordenar a recuperação de livros, registros e documentos da Titan que estejam no Brasil, com o objetivo de evitar a duplicação de custos, esforços e processos judiciais. O liquidante do Banco Master já foi reconhecido pela Suprema Corte das Ilhas Cayman como representante estrangeiro no território.

A expectativa é que o liquidante brasileiro apresente reivindicações financeiras contra a Titan em nome da massa falida do Banco Master. Até o encerramento do relatório, porém, não havia sido apresentada prova de dívida. A Grant Thornton avalia os efeitos jurídicos da decisão e como os dois processos de liquidação vão coexistir nas Ilhas Cayman.

Dívida com a Tether

A Tether Investments, divisão de investimentos da Tether, está entre os principais credores. A empresa, criadora e emissora do USDT, concedeu à Titan uma linha de crédito de US$ 300 milhões em março de 2025, garantida por recebíveis de empréstimos consignados associados ao Master.

Após o rebaixamento de ratings e a liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central do Brasil, em novembro de 2025, a Tether notificou a Titan sobre o vencimento antecipado da dívida. A holding contestou a cobrança na Corte de Arbitragem Internacional de Londres, que decidiu a favor da Tether.

Sem receber o pagamento, a empresa pediu a liquidação judicial da Titan nas Ilhas Cayman. A cobrança soma US$ 326,2 milhões, além de 649,5 mil libras em custos de arbitragem. Antes da ordem de liquidação, a Titan estava prestes a ser extinta administrativamente porque seu antigo provedor de sede e agente registrado havia deixado de prestar os serviços.

Ao assumir o controle, a Grant Thornton regularizou a situação e nomeou a HSM Corporate Services para manter a empresa ativa e permitir a continuidade do processo de falência e das investigações.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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