O Banco Central realizou nesta terça-feira (15) uma operação simultânea para ampliar a liquidez no mercado de câmbio, com a venda de US$ 1 bilhão no mercado à vista e a negociação de 20 mil contratos de swap cambial reverso, também no valor de US$ 1 bilhão.
No swap reverso, o efeito equivale à compra de dólares no mercado futuro. As duas operações, conhecidas entre investidores como casadão, movimentam a oferta de moeda no mercado à vista e a demanda no mercado futuro. Como o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou o mesmo valor na outra, o efeito teórico sobre a cotação do dólar é nulo.
A atuação ocorre após o fluxo cambial registrar saldo negativo de US$ 6,69 bilhões (R$ 34,1 bilhões) do início de setembro até a sexta-feira (4), conforme dados divulgados pela autarquia na quarta-feira (9). Em agosto, a saída líquida havia alcançado US$ 3,9 bilhões (R$ 19,9 bilhões).
A operação desta terça-feira se soma às realizadas em 27 de agosto e 10 de setembro, ambas de US$ 1 bilhão. No mesmo período de agosto, o saldo de investidores estrangeiros na Bolsa de Valores brasileira ficou negativo em R$ 18,1 bilhões, o pior resultado do ano.
Analistas associam a saída de dólares à volatilidade eleitoral e às preocupações com a trajetória da dívida pública. A percepção de risco ligada à situação fiscal pressiona os juros e reduz a atratividade dos ativos brasileiros. Em relatório de agosto, o JPMorgan afirmou: “As perspectivas para a política econômica continuam incertas, já que quem vencer as eleições de outubro terá de lidar com taxas de juros reais elevadas e com déficit fiscal”.
Para Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, a operação buscou atender à demanda por dólares. “Por isso, a leitura é que o BC realizou o casadão para proporcionar liquidez ao mercado em um momento de forte demanda por dólares”, afirmou.
No leilão à vista, foram aceitas nove propostas, totalizando US$ 1 bilhão, com diferencial de corte de -0,000300. No leilão de swap reverso, quatro propostas foram aceitas, somando 20 mil contratos e US$ 1 bilhão. A taxa de corte foi de 4,9250, com início dos contratos em 16 de setembro de 2026 e vencimento em 1º de outubro de 2026.








