São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Brasil

Trabalho por aplicativos chega a 1,8 milhão de pessoas e amplia informalidade

Levantamento do IBGE mostra jornadas mais longas, menor renda por hora e baixa cobertura previdenciária entre trabalhadores de plataformas.

Trabalho por aplicativos chega a 1,8 milhão de pessoas e amplia informalidade
Foto: Tricky_Shark/Shutterstock

O Brasil tinha 1,8 milhão de pessoas com plataformas digitais como principal atividade em 2025, segundo dados do IBGE. O contingente cresceu 9,1% em um ano e 36,8% desde 2022. No total, cerca de 2 milhões de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos no país.

A expansão ocorreu junto com condições menos favoráveis em comparação com trabalhadores do setor privado que não usam plataformas. Profissionais de aplicativos trabalhavam, em média, 5,4 horas a mais por semana para alcançar uma renda equivalente. O ganho médio por hora era de R$ 16,20, 12% abaixo dos R$ 18,40 registrados entre os não plataformizados.

Informalidade e perfil profissional

A informalidade alcançava 72,1% dos trabalhadores de plataformas, ante 42,7% entre os demais. Apenas 34% tinham cobertura previdenciária, enquanto o índice era de 63% no restante da iniciativa privada. Assim, mais de dois terços do grupo não contavam com proteção para benefícios como auxílio por incapacidade temporária, pensão por morte e aposentadoria.

Os homens representavam 84,4% dos trabalhadores. Entre motoristas e entregadores, a principal razão para aderir aos aplicativos era a falta de alternativas no mercado de trabalho tradicional. A busca por flexibilidade de horários aparecia em seguida.

No setor de transporte, armazenagem e correio, 75% dos profissionais trabalhavam por meio de plataformas. O número de entregadores aumentou 18,6% entre 2024 e 2025.

A procuradora Clarissa Ribeiro Schinestsck, responsável pela cooperação entre o MPT, a Unicamp e o IBGE, afirmou que a transformação digital não deve reduzir direitos sociais nem tornar jornadas exaustivas uma consequência da chamada autonomia. Para ela, os dados ajudam órgãos públicos a orientar medidas e a regulação do setor.

José Dari Krein, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, disse que os resultados indicam piora, em relação a 2024, nos indicadores de proteção previdenciária, rendimento por hora e jornada. As plataformas, segundo ele, mantêm o controle sobre preços, clientes e organização da atividade, enquanto transferem custos e riscos aos trabalhadores.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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