A Mercedes lidera o campeonato de Fórmula 1 de 2026, mas enfrenta uma diferença crescente entre George Russell e Kimi Antonelli. O novato soma oito vitórias e abriu 81 pontos sobre o companheiro, enquanto Russell atravessa o período mais difícil de seus oito anos de carreira justamente na temporada em que dispõe de um carro com potencial de título.
A próxima prova será o Grande Prêmio do Azerbaijão, em Baku, válido pela 15ª etapa do calendário no próximo sábado. A equipe tenta entender por que o desempenho de Russell não acompanha o potencial do W17. Toto Wolff rejeita a ideia de que a queda seja definitiva ou decorra apenas de uma incompatibilidade entre o piloto e o estilo do carro.
O problema no W17
No GP de Madri, Russell e Antonelli registraram tempos idênticos nos dois primeiros setores da classificação. A diferença, inferior a um décimo de segundo nas parciais, chegou a quase três décimos ao fim da volta. O problema apareceu no terceiro setor, formado por sucessivas curvas de 90 graus: os pneus traseiros do carro de Russell superaqueceram.
A gestão dos compostos prejudicou o resultado da corrida. Russell terminou em quinto, meio minuto atrás de Antonelli, que venceu após adotar uma estratégia considerada superior no texto. O britânico havia começado a temporada com uma vitória na Austrália, mas desde então apresentou resultados fortes apenas de forma pontual. Na Espanha, por exemplo, manteve ritmo competitivo diante de Charles Leclerc antes de perder desempenho depois da troca de pneus.
Russell reconhece que suas reações naturais ao volante não se ajustam plenamente às exigências dos carros atuais. O regulamento favorece entradas de curva em alta rotação e transferências de peso mais ativas. Antonelli se adapta a esse comportamento por instinto, enquanto Russell foi formado com uma condução baseada em linhas mais suaves e geométricas.
O piloto classificou 2026 como uma temporada “estranha” e afirmou que Charles Leclerc e Oscar Piastri também enfrentam dificuldades atípicas diante de seus companheiros. Na avaliação de Russell, Antonelli, Hamilton e Norris têm estilos semelhantes, mais compatíveis com a janela de funcionamento dos pneus.
Estratégia para Baku
Wolff disse que a gestão do momento exige tanto ajustes técnicos quanto apoio psicológico. “Há momentos em que a resposta está no suporte emocional, colocando o braço em volta do piloto atingido pela crise de confiança; em outros, na cobrança por respostas rápidas”, afirmou.
Para o GP do Azerbaijão, a Mercedes não levará atualizações. O circuito exige elevada eficiência aerodinâmica nas retas, e a equipe também adiou a introdução de uma nova especificação de motor para evitar punições no grid de largada. As atualizações de hardware do W17 foram reservadas para a etapa seguinte, na Malásia.








