A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta quarta-feira (16), a Operação Arcanum para investigar um grupo suspeito de extorquir usuários de uma plataforma de relacionamento voltada a casais liberais. Segundo a apuração, os envolvidos ameaçavam divulgar imagens íntimas para familiares, amigos, colegas de trabalho e outras pessoas próximas das vítimas caso não recebessem pagamentos.
A operação é conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECOR). A investigação começou com ocorrências registradas no Distrito Federal e avançou após a análise de vestígios digitais e movimentações financeiras. Os policiais identificaram possíveis vítimas em outros estados e indícios de uma estrutura organizada, com divisão de tarefas.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva no Mato Grosso e em Santa Catarina. Outros mandados ainda devem ser executados. Dispositivos eletrônicos e outros elementos de prova foram recolhidos e passarão por análise técnico-policial, que poderá indicar novos envolvidos, localizar vítimas e esclarecer como o material íntimo foi obtido.
A polícia identificou o uso de contas bancárias digitais e de intermediários para receber e distribuir os valores. De acordo com a PCDF, esse mecanismo dificultaria o rastreamento do dinheiro e a identificação dos beneficiários. O delegado Pedro Sardá, da DRCC, afirmou que foram encontrados indícios de atuação coordenada, com intermediários financeiros e pulverização dos valores.
A advogada criminalista Emanuela de Araújo Pereira afirmou que a exigência de dinheiro acompanhada da ameaça pode configurar extorsão, prevista no artigo 158 do Código Penal. Ela também mencionou a Súmula 96 do STJ, segundo a qual o crime se consuma com a exigência, mesmo sem pagamento. A forma de obtenção ou divulgação do conteúdo pode levar à investigação de outros crimes, conforme a conduta individual de cada suspeito.
A orientação às vítimas é não pagar, interromper o contato e preservar as provas. Conversas não devem ser apagadas, e também é recomendado guardar números, perfis, chaves Pix e comprovantes, além de registrar a ocorrência o quanto antes. Os investigados poderão responder, em tese, por extorsão, associação criminosa e divulgação ou transmissão de conteúdo íntimo sem consentimento. As penas máximas inicialmente apuradas, somadas, podem chegar a 18 anos de reclusão.







