O Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa controlada pelo empresário Lucas Kallas, que foi parceiro de negócios do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os repasses ocorreram até o final de 2025, quando Mendonça ainda integrava o quadro societário do instituto.
Criado em 2024, o Iter recebeu os recursos por meio de um contrato de mútuo conversível. Esse tipo de operação funciona como um empréstimo que pode ser convertido em ações ou quotas da empresa. O contrato previa R$ 5,9 milhões.
A Cedro afirma que não possui relação societária com Vorcaro. Segundo a empresa, Kallas e o ex-banqueiro apenas foram acionistas, em momentos coincidentes, de companhias de capital aberto. A holding também sustenta que a aquisição de participações nessas empresas não configura sociedade comercial.
A transferência foi interrompida no final de 2025, quando o instituto afirmou ter alcançado sustentabilidade financeira. Um termo aditivo antecipou o vencimento da dívida e estabeleceu o início do ressarcimento dos valores, corrigidos pela taxa Selic. Até o momento, o Iter quitou cerca de 5,3% do total devido. A devolução começou em janeiro deste ano.
Em fevereiro, Mendonça foi sorteado relator do processo de investigação do Banco Master. No último dia 3 de setembro, anunciou sua saída do Iter e deixou o quadro societário do instituto.
As negociações do aporte foram conduzidas pelo presidente-executivo do Iter, o ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga, diretamente com Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto, diretores de investimento e jurídico da Cedro.
Posicionamento das partes
O Iter afirma que Mendonça e Kallas não participaram da definição dos termos, dos valores nem da assinatura do contrato. O instituto diz que o dinheiro foi depositado integralmente na conta da pessoa jurídica e destinado exclusivamente à sua estruturação e operacionalização, com acompanhamento contábil e fiscal.
A entidade também afirma que, por ser uma sociedade anônima, mantém escrituração regular e nunca distribuiu lucros, dividendos ou participações nos resultados a acionistas, sócios ou administradores. Segundo o Iter, a atuação de Mendonça durante sua permanência na entidade se limitou ao magistério acadêmico, sem contrapartida financeira.
O instituto acrescenta que Kallas integrava, na época da assinatura, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República e não tinha impedimentos legais. Também nega qualquer relação com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro.
A Cedro diz que Kallas deixou, em 2017, o negócio relacionado à Operação Parcours, no qual atuava como sócio-investidor. A empresa afirma ainda que esteve no quadro societário da Biomm em 2023 e ingressou na Latache Capital entre 2024 e 2025. Em abril de 2026, deixou de ser sócia de ambas para concentrar seus investimentos no setor de mineração.







