A fotógrafa Juliana Boris Stramar, de 44 anos, se casou de preto no último dia 15 de agosto, em uma cerimônia ao ar livre no espaço Recanto da Figueira, em Vera Cruz. A escolha, segundo ela, representou a liberdade de definir a própria celebração e não teve caráter de protesto contra os vestidos brancos tradicionais.
Juliana e Pedro Rockenbach, também de 44 anos, dividem a vida há 17 anos e meio. A decisão pelo vestido preto foi construída ao longo do relacionamento, marcado pela participação dos dois em diferentes casamentos de amigos e pela busca de uma festa que refletisse seus gostos. O pedido oficial aconteceu em novembro de 2025, durante uma dessas celebrações.
“Nós já tínhamos participado de tantas outras que começamos a pensar em como fazer uma que tivesse o nosso estilo”, afirmou Juliana. A ideia retomou uma preferência que a acompanhava desde as aulas de História, quando imagens de noivas vestidas de preto chamavam sua atenção.
Um vestido escolhido pela noiva
Com o modelo definido, Juliana procurou um ateliê para confeccionar a peça. A proprietária disse que ela era a primeira noiva a pedir um vestido preto no local. A encomenda foi feita no aniversário de 11 anos do ateliê, coincidência que estimulou o processo criativo.
O vestido foi produzido em cetim, com detalhes em tule. Na prova, Juliana se emocionou ao se ver no espelho e associou a experiência ao amadurecimento necessário para assumir as próprias vontades. O traje também chamou a atenção dos convidados. Para personalizar ainda mais a festa, o casal serviu costelão, prato preferido da noiva.
Juliana e Pedro têm três filhos e dizem transmitir à família, aos amigos e às pessoas próximas a ideia de viver de acordo com as próprias escolhas. Para a fotógrafa, a principal mensagem é que cada pessoa olhe para si e deixe de lado o julgamento ou a opinião alheia.
A tradição histórica
O uso de vestidos pretos por noivas de origens germânicas ocorreu, por diversas razões, da Idade Média ao início do século 20. Em algumas ocasiões, apenas o véu era branco. Na Serra gaúcha, o costume se manteve em Nova Petrópolis até a década de 1930.
Uma das explicações para a tradição era o baixo poder aquisitivo das famílias. Como poderia ser usado outras vezes, o vestido preto seria mais prático do que uma peça clara. Na Pomerânia, na Europa, o traje também é associado ao luto e ao protesto. Há ainda a interpretação de que simbolizava a morte social e a separação da noiva de sua família.







