São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Debate sobre Padroeira do Brasil retoma histórico de ataques a imagens católicas

Comentário de Maria Cristina Fernandes reacendeu a discussão sobre propostas e episódios de hostilidade contra Nossa Senhora Aparecida.

O atentado de Aparecida e a cruzada da direita evangélica contra Padroeira do Brasil

Um comentário feito por Maria Cristina Fernandes em 24 de setembro de 2026 reacendeu o debate sobre a pressão de setores evangélicos para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Durante o programa GloboNews Em Pauta, a jornalista mencionou a existência de um movimento ligado a um projeto de lei com esse objetivo e destacou possíveis efeitos políticos da iniciativa.

Após críticas de bolsonaristas, a emissora pediu desculpas e informou que o projeto citado havia sido arquivado em 2008. A proposta, no entanto, foi apresentada pelo deputado e pastor Victório Galli, posteriormente nomeado assessor especial do governo de Jair Bolsonaro. Também foi mencionada a declaração de Flávio Bolsonaro de que pretendia decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

A origem da devoção

A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi esculpida em terracota por volta do ano 1600 e encontrada em 1717 por três pescadores no Rio Paraíba do Sul. Segundo a tradição católica, a cabeça apareceu depois que o corpo foi retirado das águas. O episódio passou a ser interpretado como sinal de intervenção divina.

A escultura, originalmente associada a Nossa Senhora da Conceição, passou a ser venerada na casa do pescador Domingos Garcia. A imagem mede cerca de 36 centímetros, pesa 2,5 quilos e foi atribuída por alguns historiadores da arte a Frei Agostinho de Jesus. Em 1930, um decreto assinado pelo Papa Pio XI a transformou oficialmente em Padroeira do Brasil.

A nova Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida começou a ser construída em 1955 e foi transformada em Santuário Nacional em 1983. O local recebe, em média, 12 milhões de peregrinos por ano.

O atentado de 1978

Na noite de 16 de maio de 1978, a imagem foi atacada na Basílica Velha de Aparecida durante um blecaute provocado por uma tempestade. Rogério Marcos de Oliveira, então com 19 anos, quebrou o vidro do nicho, retirou a escultura e deixou o local. A cabeça se desprendeu e se esfarelou; depois, o corpo foi arremessado ao chão e dividido em mais de 200 pedaços.

O agressor foi capturado após receber atendimento na Santa Casa e levado à delegacia. Como apresentava transtornos psiquiátricos, a Igreja Católica decidiu não apresentar denúncia, e ele foi liberado sem abertura de inquérito. Registros paroquiais e o livro “Aparecida: a biografia da santa que perdeu a cabeça”, de Rodrigo Alvarez, indicaram que Rogério integrava um grupo protestante contrário a imagens religiosas. Antes do atentado, ele havia atacado uma imagem em uma paróquia de São José dos Campos.

A restauração foi conduzida por Maria Helena Chartuni, chefe do Departamento de Restauro do Museu de Arte de São Paulo. O trabalho durou mais de dois meses, e a parte direita do rosto precisou ser refeita com base no lado oposto e em réplicas. A imagem retornou ao santuário em agosto de 1978.

Outros episódios

A hostilidade contra imagens católicas voltou a aparecer em diferentes episódios. Em 12 de outubro de 1995, o pastor Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou e socou uma imagem durante o programa “Show da Fé”. Ele foi condenado por discriminação religiosa e vilipêndio a objeto de culto.

Em 2012, um monumento de Nossa Senhora Aparecida foi atacado a marretadas em Águas Lindas de Goiás. Em 2016, duas imagens foram destruídas na Catedral de Santo Antônio, em Duque de Caxias. No ano seguinte, a pastora Zélia Ribeiro destruiu uma imagem em Botucatu. Em 2021, o pastor Miguel Moreira destruiu e queimou uma imagem em Santo Antônio da Platina, no Paraná. No ano seguinte, uma imagem pública foi destruída com um bastão em Praia Grande, no litoral paulista.

O discurso também alcançou a política. Em 2021, o deputado estadual Frederico D’Ávila insultou o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, e o Papa Francisco. Em 12 de outubro de 2022, Jair Bolsonaro visitou o Santuário Nacional de Aparecida durante a campanha eleitoral. A presença provocou críticas de setores da Igreja Católica, que apontaram a transformação do espaço religioso em palanque político. Apoiadores do então candidato vaiaram um padre durante a Consagração a Nossa Senhora Aparecida e gritaram “mito” dentro do complexo religioso.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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