SÃO PAULO — Os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro receberam cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios de empresas de apostas online em 2025, segundo levantamento da consultoria Convocados. O montante equivaleu a 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões dos times que estavam na elite do futebol brasileiro no ano passado.
O veto do governo federal às operações das bets no Brasil, porém, pode levar à rescisão de contratos firmados entre as empresas e as agremiações. José Frederico Cimino Manssur, especialista em regulação de apostas esportivas e jogos online e sócio do escritório Natal & Manssur Advogados, afirmou que os acordos costumam prever o encerramento em caso de revogação da lei.
“Ou seja, os contratos serão automaticamente suspensos e extintos”, disse Manssur. De acordo com ele, clubes que receberam antecipadamente parte dos valores deverão devolver o dinheiro às empresas. O especialista também avalia que as agremiações e as bets poderão recorrer à Justiça contra a União para buscar ressarcimento.
Marcelo Robalinho, sócio do RA Law e mestre em Direito Empresarial e Direito Desportivo, disse acreditar que os clubes voltarão a pedir apoio ao governo federal para reorganizar dívidas por meio do alongamento do pagamento de tributos.
Peso nos balanços
O patrocínio das bets aos clubes da Série A cresceu aproximadamente 66% em relação aos R$ 618 milhões registrados no ano anterior. Apesar do avanço, a participação ficou abaixo de uma décima parte das receitas totais das equipes.
O Flamengo, patrocinado pela Betano, tinha a maior dependência desse tipo de recurso. Seu contrato anual, estimado em R$ 268 milhões, correspondia a cerca de 13,6% das receitas totais de R$ 1,973 bilhão do clube em 2025.
A CBF negociou com a Betano os direitos de nome do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, mas informou que não se manifestaria. Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos também disseram que não comentariam o tema neste momento.
Flamengo e Fluminense se pronunciaram antes do anúncio oficial. O Flamengo afirmou que o fenômeno das apostas esportivas “não vai acabar com uma canetada”. O Fluminense, patrocinado pela Superbet, disse que empresas regulamentadas e terceiros contratantes não poderiam ser surpreendidos de um dia para o outro.
Na quarta-feira (23), o Grêmio anunciou contrato com a Pitaco e informou que aguardaria os próximos desdobramentos. Na sexta-feira (25), horas antes do anúncio do governo, o Flamengo divulgou seu comunicado. Na semana anterior, clubes haviam publicado o manifesto conjunto “O fim do futebol brasileiro”, no qual afirmaram que uma alteração abrupta das regras reduziria a capacidade de investimento e criaria desequilíbrios dentro e fora do país.







