A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que recomenda a adoção da projeção Equal Earth em substituição à projeção de Mercator. A proposta recebeu 164 votos favoráveis e apenas um contrário, dos Estados Unidos. Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia se abstiveram.
A Equal Earth é um modelo de representação da Terra desenvolvido para reduzir distorções de proporção. Usada desde o século XVI, a projeção de Mercator foi criada para a navegação e apresenta a Groenlândia e a África com dimensões semelhantes, embora a África seja 14 vezes maior. O Brasil, por sua vez, é cinco vezes maior que o Alasca, mas aparece em proporção equivalente à do estado americano nesse modelo.
Com a Equal Earth, a África passa a ser representada de acordo com seu tamanho e o Brasil ocupa uma área maior no mapa. A mudança foi patrocinada pelo Togo e recebeu o apoio da União Africana, que há anos promove a campanha “Correct The Map”.
Os Estados Unidos classificaram a resolução como parte de “uma agenda ideológica” e disseram que ela desvia a ONU de questões mais urgentes. A representante americana Yaryna Ferencevych também criticou as referências a “justiça cognitiva” e a reparações históricas. A Ucrânia justificou sua abstenção pela forma como o mapa representa partes de seu território sob ocupação russa.
No Brasil, o IBGE já disponibiliza a projeção em sua loja digital. O instituto mantém uma série de mapas-múndi produzidos entre 2024 e 2026. Em 2024, o Brasil foi colocado no centro; em 2025, o Norte e o Sul foram invertidos, com o Hemisfério Sul na parte superior; e, em 2026, foram incluídos dados sobre a biodiversidade mundial.
“Adotando a Equal Earth, centralizando o Brasil e experimentando a inversão da orientação convencional, o Instituto passou a explicitar que toda representação cartográfica resulta de escolhas técnicas e convencionais”, afirmou o presidente do IBGE, Marcio Pochmann. A diretora de Geociências, Maria do Carmo Bueno, disse que a decisão da ONU reforça a busca por mais equilíbrio e justiça na representação do planeta.
A resolução não é obrigatória e não determina que países ou plataformas como o Google Maps atualizem seus mapas imediatamente. Ainda assim, tem força moral e política. A França anunciou que deixará de usar a projeção de Mercator em seu Ministério das Relações Exteriores. Para a União Africana, a decisão reforça que a escolha de um mapa envolve mais do que uma representação técnica da Terra.








