São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Tecnologia

LinkedIn amplia medidas contra conteúdo genérico criado por IA

Plataforma criou denúncia para publicações artificiais e prepara alertas a autores sinalizados pelos usuários.

LinkedIn amplia medidas contra conteúdo genérico criado por IA

O LinkedIn passou a permitir que usuários denunciem publicações que pareçam conteúdo genérico produzido por inteligência artificial e prepara um aviso aos autores cujos posts forem considerados artificiais demais. A plataforma também retirará o recurso “melhore seu post”, usado para revisão e reescrita com IA.

A decisão ocorre em meio ao crescimento da produção automatizada na rede. Uma análise de quase 57 mil publicações identificou que 41% dos posts longos e 30% dos comentários públicos publicados entre abril e junho foram gerados integralmente por IA. No X, a proporção apontada foi de 29%; no Reddit, de 13%.

Outra análise, feita pela Originality.ai com 5 mil posts públicos em julho, estimou que 81% provavelmente usavam IA acima de um nível moderado. O LinkedIn contestou esses levantamentos. Uma porta-voz da empresa afirmou que a pesquisa pode considerar como conteúdo problemático qualquer material que tenha recebido algum auxílio de IA, embora a plataforma veja a tecnologia como apoio para organizar ideias, ajustar a linguagem e reduzir a extensão dos textos.

Sinais e respostas da plataforma

Dan Roth, editor-chefe e vice-presidente de conteúdo do LinkedIn, citou como sinais de textos artificiais as conclusões genéricas, a formatação incomum, emojis de lixeira reciclável acompanhados de pedidos para repostar, o padrão “não é isso, mas aquilo” e sequências longas de frases dramáticas de uma linha, chamadas de “broetry”.

Segundo Roth, também chama atenção o comentário elaborado que apenas resume a publicação original. Para ele, parte desse material produz a sensação de algo que parece humano, mas não é completamente humano.

A rede afirma bloquear diariamente mais de 200 mil comentários de spam gerados por IA. Também diz identificar com precisão cerca de 94% dos posts genéricos, que não são distribuídos além da rede imediata do autor. Outra medida permite esconder comentários de usuários não verificados.

No Brasil, o LinkedIn é apresentado como um dos principais canais de marketing B2B e de employer branding, com dezenas de milhões de usuários. O avanço de ferramentas como o ChatGPT ampliou a produção de conteúdo corporativo em português, enquanto agências e consultorias de personal branding passaram a elevar o volume de posts feitos com IA.

Para executivos e fundadores que usam automação em sua presença digital, as mudanças podem afetar tanto a distribuição orgânica quanto a percepção de autenticidade. Brendan Gahan, cofundador e CEO da Creator Authority, disse que o uso de IA é disseminado, mas que a empresa não recomenda depender excessivamente da tecnologia. Na avaliação dele, a credibilidade é o que conta para o sucesso na plataforma.

A medição desse fenômeno, porém, permanece incerta. Jérémy Boissinot, CEO e cofundador da Favikon, afirmou que ninguém consegue saber exatamente quanto do conteúdo do LinkedIn recebe auxílio de IA, incluindo a própria plataforma.

Uma análise da Originality.ai indicou que o aumento anual da proporção de conteúdo provavelmente gerado por IA acima do nível moderado foi de 15,9% entre janeiro e julho deste ano, ante 20,3% em todo o ano de 2025. As medidas anunciadas reforçam o uso da IA como ferramenta de apoio, e não como substituta da experiência e da voz dos autores.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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