São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Tecnologia

Leão XIV diz que IA não deve substituir decisões da consciência humana

Durante audiência no Vaticano, o papa alertou para riscos da delegação de decisões morais e do uso da IA nas relações e na comunicação.

Leão XIV diz que IA não deve substituir decisões da consciência humana

O papa Leão XIV afirmou nesta quarta-feira (16) que decisões atribuídas à consciência humana não devem ser transferidas para algoritmos. Durante uma audiência geral no Vaticano, o pontífice relacionou o avanço da inteligência artificial (IA) à necessidade de preservar relações baseadas em respeito, dignidade e profundidade pessoal.

“Corremos o risco de nos habituarmos a delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana”, disse Leão XIV. Segundo ele, a expansão das tecnologias de comunicação amplia as possibilidades de interação, mas também pode tornar os vínculos menos pessoais e mais virtuais.

A reflexão fez parte de uma catequese sobre a comunidade humana, baseada no segundo capítulo da Constituição Pastoral Gaudium et spes, documento do Concílio Vaticano II. O papa afirmou que a tecnologia pode derrubar barreiras e distâncias, mas defendeu que esse processo resulte em uma comunidade formada por pessoas, e não apenas em uma rede crescente de interações virtuais.

Tecnologia e julgamento moral

Na encíclica Magnifica Humanitas, publicada em maio, Leão XIV já havia defendido que a inteligência humana, acompanhada de consciência e liberdade, deve orientar as inovações e estabelecer seus limites. O documento diferencia a capacidade de cálculo dos sistemas de IA da experiência humana.

Segundo o papa, esses sistemas podem superar pessoas em velocidade e cálculo, mas não vivenciam alegria, dor, amor, amizade, trabalho ou responsabilidade. Também não têm consciência moral para avaliar o que é certo ou errado, compreender o significado de uma situação ou assumir as consequências de uma decisão.

A encíclica afirma que a aparência de objetividade das respostas geradas por sistemas de IA pode levar usuários a delegar decisões em excesso. O texto também alerta que esses sistemas podem simular aconselhamento, empatia, amizade e amor sem que exista uma relação pessoal autêntica.

Leão XIV declarou ainda que a IA já participa de decisões em áreas como comunicação, gestão e controle. O uso pode aumentar a eficiência e melhorar serviços, mas exige avaliação crítica e atenção ao impacto ambiental.

Na comunicação pública e política, o papa apontou que plataformas digitais e sistemas de IA podem facilitar a construção de narrativas distorcidas e dificultar a separação entre fatos e opiniões. A tecnologia também pode manipular conteúdos, imagens e vídeos, funcionando como multiplicadora da desinformação.

O documento rejeita tratar sistemas artificiais como agentes morais capazes de distinguir o bem do mal de forma equivalente à consciência humana. Por isso, Leão XIV afirma que decisões letais ou irreversíveis não devem ser confiadas a essas ferramentas. Ele também relaciona o tema ao uso da IA em conflitos armados, com o risco de tornar a violência mais rápida e impessoal.

Ao encerrar a catequese, o papa defendeu a diversidade entre pessoas e povos, a reciprocidade, a partilha e o cuidado. Também destacou a igualdade fundamental, a justiça social e a participação na construção do bem comum como critérios para os projetos sociais e políticos atuais.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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