A juíza distrital Araceli Martínez-Olguín aprovou nesta quarta-feira (30) o acordo que permite à Paramount concluir a aquisição da Warner Bros. Discovery por US$ 110 bilhões (R$ 561 bilhões). A decisão encerra uma disputa judicial que se prolongava havia meses nos Estados Unidos.
O acordo foi firmado entre as empresas e uma coalizão liderada pela Califórnia, formada por 12 estados estadunidenses. O grupo havia processado as companhias sob o argumento de que a operação poderia reduzir a concorrência nos mercados de cinema e televisão. Em 21 de setembro, as partes chegaram a um entendimento para encerrar o processo.
A fusão reunirá no mesmo grupo operações de cinema, televisão, streaming e jornalismo, com marcas como Paramount Pictures, Warner Bros., CBS, CNN, HBO Max e Paramount+.
Condições para a nova companhia
Como parte do acordo, a empresa combinada terá de lançar pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas dos Estados Unidos durante cinco anos. Nos anos seguintes, a exigência poderá alcançar 32 produções anuais. Também deverá investir US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) adicionais por ano na produção cinematográfica estadunidense, em um compromisso de pelo menos US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 7,7 bilhões) ao longo de cinco anos. O descumprimento das metas poderá gerar penalidades.
As negociações de distribuição dos canais básicos de TV a cabo da Paramount e da Warner Bros. deverão ocorrer separadamente durante cinco anos. A companhia também se comprometeu a manter um serviço gratuito de streaming semelhante ao Pluto TV e a preservar o serviço e a qualidade atuais.
O acordo prevê ainda um fundo de US$ 47,5 milhões (cerca de R$ 242 milhões) para trabalhadores afetados pela fusão. Em um entendimento separado com o Sindicato dos Roteiristas da América (WGA), a Paramount concordou em destinar US$ 17,5 milhões (cerca de R$ 89 milhões) ao fundo de saúde da entidade e manter os níveis atuais de funcionários da CBS News por cinco anos.
Supervisão editorial
A Paramount criará um conselho de independência editorial para supervisionar os padrões jornalísticos da CBS News e da CNN. Um monitor independente e outras estruturas deverão acompanhar o cumprimento das obrigações assumidas pela nova empresa.
A companhia informou que Ynon Kreiz, CEO da Mattel, será co-CEO ao lado de David Ellison. Kreiz ficará responsável pela operação e pela integração dos negócios, enquanto Ellison seguirá concentrado na direção estratégica, tecnologia, relações com talentos e alocação de capital.
Com a autorização judicial, a aquisição está liberada para avançar rumo à conclusão.







