São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Tecnologia

Discord enfrenta banimentos por erro de IA, crise de confiança e pressão no Brasil

Falhas na moderação, planos de verificação de idade e investigações sobre segurança infantil ampliaram a crise da plataforma em 2026.

Discord enfrenta banimentos por erro de IA, crise de confiança e pressão no Brasil
Foto: Epic Games/Reprodução

O Discord enfrentou, em 2026, uma sequência de problemas envolvendo moderação automatizada, verificação de idade e proteção de crianças e adolescentes. A plataforma baniu mais de 8 mil contas entre maio e julho após um sistema de inteligência artificial confundir imagens quadriculadas, como texturas de jogos, com material relacionado a abuso infantil.

O mecanismo comparava imagens com um banco de material nocivo conhecido. Tabuleiros de xadrez, planilhas, fundos transparentes e texturas de jogos apresentavam padrões semelhantes aos identificados pelo sistema. Em um final de semana de julho, mais 200 contas foram banidas antes que o Discord percebesse o erro e interrompesse a ferramenta. As contas afetadas foram restauradas.

O Discord reconheceu a falha e afirmou: “Esse tipo de correspondência por similaridade pode gerar falsos positivos.” A empresa também prometeu adotar salvaguardas para evitar novos casos. Um dos usuários afetados usava a plataforma como canal oficial de comunicação da equipe de um jogo e ficou sem acesso ao trabalho por dias.

Verificação de idade e dados pessoais

Em fevereiro, o Discord anunciou uma verificação de idade global, prevista inicialmente para começar em março. O procedimento exigiria selfie com reconhecimento facial ou o envio de documento. A decisão ocorreu após a invasão, em outubro de 2025, da 5CA, fornecedora terceirizada de suporte da plataforma. Pelo menos 70 mil documentos de identidade foram roubados no ataque, incluindo passaportes e carteiras de motorista. O grupo responsável pediu US$ 3,5 milhões de resgate, que não foram pagos.

Sob pressão, o Discord adiou o lançamento global para o segundo semestre de 2026. O CTO Stanislav Vishnevskiy reconheceu o erro: “Erramos, não vou fingir que não erramos”. A Electronic Frontier Foundation criticou a exigência voluntária de reconhecimento facial ou documento de identidade e lembrou que o Discord havia recebido, em 2025, o prêmio irônico de pior vazamento do ano.

Em fevereiro, o Discord também encerrou a parceria com a Persona, empresa usada na verificação de idade. Pesquisadores apontaram possíveis ligações da companhia com programas de inteligência dos Estados Unidos. Código exposto da Persona revelava 269 verificações distintas, incluindo reconhecimento facial comparado com listas de vigilância.

A Twitch passou a exigir documento e selfie pela mesma Persona de novos afiliados antes do primeiro pagamento. A empresa afirmou depois que a medida atingia apenas uma porcentagem muito pequena dos afiliados.

Investigação no Brasil

Em 22 de julho de 2026, uma menina de 13 anos morreu em Naviraí, no Mato Grosso do Sul. Em 4 de agosto, a Polícia Federal deflagrou a Operação Lívia para investigar o uso de Discord e Telegram no aliciamento de vítimas, majoritariamente meninas, e na disseminação de conteúdo neonazista e misógino em cinco estados.

Em 7 de agosto, a ANPD abriu processo de fiscalização contra o Discord por possíveis falhas em quatro pontos do ECA Digital: prevenção de conteúdo de automutilação, verificação de idade, remoção de conteúdo irregular e comunicação de violações às autoridades. A empresa recebeu 5 dias úteis para responder e poderia ser multada em até R$ 50 milhões por infração.

Em 12 de agosto, a agência determinou a suspensão da função “Go Live” no Brasil. O diretor da ANPD, Iagê Miola, afirmou que havia na plataforma uma funcionalidade com risco muito alto para crianças e adolescentes. A investigação continuaria nos meses seguintes.

A SaferNet Brasil registrou alta de 54% nas denúncias relacionadas ao Discord, de 264 para 406, na comparação entre janeiro-julho de 2025 e o mesmo período de 2026. O caso marcou o primeiro teste de peso do ECA Digital e a primeira atuação da ANPD sem ordem judicial.

A sequência de episódios atingiu uma plataforma usada por comunidades de jogadores para partidas, comunicação e amizades. Os problemas combinaram banimentos sem revisão humana, mudanças na política de idade, dúvidas sobre fornecedores de verificação e medidas regulatórias relacionadas à segurança de menores.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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