São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Tecnologia

Crânio de Jebel Irhoud reconstitui possível aparência de Homo sapiens antigos

Fósseis marroquinos foram reunidos em um modelo 3D que estima a aparência de humanos modernos de cerca de 315 mil anos.

Crânio de Jebel Irhoud reconstitui possível aparência de Homo sapiens antigos

A classificação do crânio Irhoud 1 mudou radicalmente ao longo do tempo. Encontrado por mineradores no Marrocos em 1961, o fóssil foi inicialmente associado a um Neandertal africano e recebeu uma estimativa de idade de cerca de 40 mil anos. A análise de outros restos e ferramentas de pedra de Jebel Irhoud levou a uma revisão dessa interpretação.

Em 2017, os pesquisadores concluíram que os hominínios eram Homo sapiens que viveram aproximadamente 315 mil anos atrás. A conclusão colocou os fósseis entre os exemplares mais antigos conhecidos de humanos modernos. Agora, uma reconstrução digital baseada nesse material estima como poderia ser o rosto de parte desses indivíduos.

Um crânio composto

O modelo virtual combina elementos de diferentes fósseis. A maior parte do rosto e da caixa craniana veio do Irhoud 1. A mandíbula foi associada ao Irhoud 11, enquanto dentes dos exemplares Irhoud 10, 21 e 22 completaram a estrutura. O crânio resultante tem volume cerebral de 1.230 centímetros cúbicos, aproximadamente equivalente ao de um homem adulto moderno médio.

A estrutura facial e os dentes dos fósseis se aproximam dos observados em humanos atuais. Já a caixa craniana preserva características relacionadas a hominínios mais antigos. Essa diferença indica que o cérebro continuou mudando depois de a forma básica do rosto humano ter se estabelecido.

Com o crânio montado, os pesquisadores ajustaram digitalmente um rosto humano moderno às suas proporções. O procedimento serviu para estimar a distribuição dos tecidos moles sobre os ossos. Foram feitas duas versões: uma em escala de cinza e sem pelos faciais, com foco em uma aproximação objetiva, e outra com pigmentação da pele e pelos faciais hipotéticos.

Uma estimativa, não um retrato

A reconstrução não representa uma pessoa específica. Além de reunir partes de indivíduos diferentes, o estudo não dispõe de dados diretos sobre a espessura dos tecidos moles de hominínios do Pleistoceno Médio. Por isso, foram usados conjuntos de referência de populações humanas modernas.

“Como não existem dados diretos sobre tecidos moles para hominínios do Pleistoceno Médio, o uso de conjuntos de referência derivados de populações humanas modernas representa um recurso metodológico necessário, e não uma suposição de equivalência biológica”, escreveram os pesquisadores.

A imagem, portanto, é uma aproximação da possível aparência de alguns dos primeiros Homo sapiens conhecidos, e não uma representação definitiva. O estudo foi publicado na revista Heritage.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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