O senador Flávio Bolsonaro viajou dos Estados Unidos para Brasília, em 19 de janeiro de 2025, em um jato executivo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Ele estava acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, das duas filhas e do advogado e empresário Willer Tomaz, que confirmou ser dono de uma das três cotas da aeronave.
O avião, de prefixo PP-NLR, era compartilhado pela Prime You, empresa que tinha Vorcaro entre os sócios, e operado pela Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. A Prime You havia adquirido um terço da aeronave no fim de 2024. Tomaz também estava entre os passageiros.
Um relatório da Polícia Federal informa que cada participação de 33,33% no jato valia 5,5 milhões de dólares em maio de 2025. Naquele período, a Prime You negociava a transferência de uma das cotas para o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A operação não foi concluída.
Relações com Willer Tomaz
Antes do retorno ao Brasil, Flávio e Tomaz estiveram no Hard Rock Hotel & Casino, na Flórida. Os dois também viajaram juntos para um safári na África do Sul, em março de 2025. A relação se estendeu a um imóvel usado por Flávio durante uma campanha em São Paulo. O apartamento havia sido comprado por uma empresa de Tomaz de Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro, com deságio de 2 milhões de reais.
Flávio também foi questionado sobre um áudio no qual teria pedido a Vorcaro dinheiro para financiar um filme sobre seu pai. Em 13 de maio deste ano, negou o envio da mensagem e disse: “É mentira. É mentira, pelo amor de Deus!”. No dia seguinte, prometeu prestar contas em 30 dias. A prestação de contas não ocorreu até o momento.
O senador é investigado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e ativa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Faltavam 10 dias para o primeiro turno quando essas relações voltaram a ser apresentadas como um risco político para sua campanha.







