BRASÍLIA — Documentos da Polícia Federal tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal descrevem uma estrutura digital atribuída a Daniel Vorcaro para influenciar a percepção sobre seus negócios. As peças indicam que integrantes da equipe recebiam instruções para publicar avaliações favoráveis, elevar notas de aplicativos e produzir interações positivas.
As mensagens analisadas pela PF também mostram orientações para que os comentários não parecessem excessivamente elogiosos, de modo a transmitir naturalidade. A investigação afirma que Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, encaminhou ao empresário notícias sobre a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
A partir desse material, Vorcaro teria determinado a publicação imediata de vários comentários favoráveis à operação. O objetivo, segundo os investigadores, era criar a impressão de que a transação havia sido bem-sucedida. A conclusão da PF é que o empresário mantinha uma estrutura organizada para manipular avaliações públicas relacionadas às empresas sob seu controle.
Atuação nas redes
Os documentos incluem imagens de conversas pelo WhatsApp que registram a articulação entre Vorcaro e Mourão. A investigação também aponta que Vorcaro teria continuado a agir no ambiente digital mesmo depois de ser preso, com possibilidade de derrubar contas desfavoráveis ao grupo com “aparente facilidade”.
A PF classificou o uso das redes para influenciar o debate em favor dos interesses do empresário como um padrão de atuação. “Daniel Bueno Vorcaro valia-se desse artifício para influenciar a opinião pública”, registraram os investigadores.
Em janeiro de 2026, instituições e pessoas ligadas à operação do Banco Master foram alvo de uma tentativa de desgaste de reputação nas redes sociais, conforme as investigações. O movimento se concentrou em 36 horas e teve picos em determinadas contas, mas não alcançou produtores de conteúdo mais tradicionais.
Também houve postagens destinadas a questionar a credibilidade do Banco Central e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) na condução da liquidação extrajudicial do Master, decretada em novembro pelo BC. O caso está sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU).







