São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

PF cumpre buscas por suspeita de desvio de emendas para filme sobre Bolsonaro

Operação investiga contratos do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura ligados ao deputado Mario Frias.

PF cumpre buscas por suspeita de desvio de emendas para filme sobre Bolsonaro
Foto: Marcelo Casal Jr./ABr

A Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre o uso de emendas parlamentares no financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As ordens foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino e são executadas em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal.

Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista do filme, e Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go UP Entertainment Ltd., produtora da obra. As defesas dos dois foram procuradas.

Em 2024, Frias destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina. A investigação analisa contratos firmados pelo ICB e pela Academia Nacional de Cultura (ANC), também presidida por ela, com empresas relacionadas a doadores de campanha do deputado, ex-assessores parlamentares e ao advogado de Frias.

A PF apura se parte dos contratos foi simulada ou fraudulenta. Também são investigados ex-assessores e pessoas contratadas pelo instituto para supostas prestações de serviços. Raphael Augusto Azevedo, ex-chefe de gabinete de Frias, está entre os alvos.

Os investigadores identificaram indícios de que contratos, orçamentos e notas fiscais teriam sido elaborados posteriormente e retrodatados para aparentar legalidade nas operações com emendas. Também foi apontado um fluxo financeiro circular entre o deputado, as entidades, empresas contratadas e a produtora do filme. As movimentações somaram R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.

A apuração inclui dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo na Operação Wi-Fi, que teve Karina entre os alvos. O material foi compartilhado com a PF por autorização de Dino. A investigação anterior envolve suspeitas de fraude e desvios em contratos e aditivos entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB.

A PF investiga suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Segundo os investigadores, os valores recebidos seriam direcionados a empresas subcontratadas sem comprovação dos serviços.

Mais de 90% do orçamento de “Dark Horse” foi bancado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens encontradas pela PF em um celular atribuído a ele indicam que o financiamento foi tratado com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro mesmo após a prisão de Vorcaro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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