São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

PF vincula apreensão de R$ 510 mil a investigação sobre Cezinha

Flávio Dino determinou que a PF assuma inquéritos sobre o dinheiro apreendido com a mulher do deputado em Congonhas.

PF vincula apreensão de R$ 510 mil a investigação sobre Cezinha
Foto: Reprodução

A Polícia Federal relacionou a apreensão de R$ 510 mil em dinheiro vivo com Valéria Rodrigues Linhares, mulher do deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), à investigação sobre suposto tráfico de influência do parlamentar junto a ministros de tribunais superiores. O dinheiro foi encontrado no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em 25 de agosto, quando Valéria tentava embarcar para Brasília.

Nesta segunda, 14, Cezinha e Valéria foram alvo de buscas autorizadas pelo ministro Flávio Dino, relator do caso. O magistrado determinou que os autos da apreensão e os procedimentos derivados deixem a Polícia Civil de São Paulo e passem à Polícia Federal, diante da possibilidade de conexão com os fatos investigados na Operação Transparência III.

Dino também autorizou a apreensão de bens móveis cujo valor pudesse indicar origem ilícita ou permitir o cumprimento de eventuais obrigações civis relacionadas à investigação. Para a PF, os fatos sob apuração podem ter ocorrido durante o mandato e teriam relação direta com a atuação do deputado na Câmara.

A investigação menciona contratos de êxito de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 2 milhões, supostamente conduzidos por Valéria e Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Segundo a PF, Tuca captava e formalizava causas e elaborava memoriais. Valéria redigia, revisava e assinava contratos de honorários e de cessão de crédito, além de acompanhar a evolução dos assuntos.

O deputado, por sua vez, faria contatos pessoais e diretos com ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. A PF suspeita que essa atuação tenha sido acompanhada de pagamentos formalizados por contratos de honorários e cessão de crédito celebrados por advogadas ligadas a Cezinha, incluindo sua mulher.

Para Flávio Dino, o dinheiro apreendido pode indicar que parte dos pagamentos previstos nos contratos era liquidada por meio do transporte físico de numerário, fora do sistema financeiro. O ministro afirmou que a conexão entre os fatos justificava o envio imediato das investigações ao Supremo Tribunal Federal.

Dino ressaltou, porém, que não existem, até o momento, elementos que indiquem solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Poder Judiciário.

Cezinha declarou estar à disposição das autoridades e afirmou que os fatos serão esclarecidos com o contraditório, o acesso da defesa aos elementos da investigação e o devido processo legal. O deputado também disse que nenhuma irregularidade foi cometida e questionou a condução de medidas de grande repercussão em contexto político ou eleitoral.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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