SÃO PAULO — A Lino Properties, empresa registrada em Delaware e controlada por uma offshore das Ilhas Virgens Britânicas citada pela Polícia Federal (PF) em uma investigação envolvendo o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, comprou um apartamento de US$ 3,6 milhões em Miami. A aquisição consta de documentos relativos ao imóvel e ocorreu na planta.
A unidade é a 41b do edifício 888 Brickell Miami, que está em construção e terá 90 andares quando for concluído, em 2030. O projeto fica no Estado da Flórida, nos Estados Unidos, e tem assinatura da Dolce & Gabbana.
A Lino Properties tem como única sócia, com 100% do capital, a Egide I Holding Limited, registrada em Road Town, capital das Ilhas Virgens Britânicas. Alberto Leite é apontado como proprietário da estrutura de empresas. A PF identificou a Egide I como a offshore que poderia receber pagamentos de Vorcaro destinados a Toffoli.
Leite negou qualquer participação do ministro na transação. “É veementemente falsa qualquer informação de que o ministro Dias Toffoli seja beneficiário ou tenha participação na transação”, afirmou. Segundo ele, o imóvel ainda está em construção, tem entrega prevista para 2030 e o contrato identifica o beneficiário final.
Relação com o caso Banco Master
Toffoli foi relator das investigações sobre o Banco Master entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Depois, pediu a redistribuição do processo, que passou ao ministro André Mendonça. A saída ocorreu após a repercussão da venda de parte da participação de Toffoli no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, para Vorcaro.
O ministro não se declarou suspeito ou impedido naquele momento. Um mês depois, passou a se declarar suspeito em julgamentos relacionados ao caso Master.
A empresa de Toffoli, Maridt S.A., havia vendido metade de sua participação no Tayayá ao fundo Arleen em 2021. O único investidor do fundo era Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A PF apontou indícios de que R$ 35 milhões teriam sido pagos pelo resort e que Zettel teria atuado como operador de Vorcaro. O gabinete de Toffoli afirmou que os valores não totalizaram R$ 35 milhões e que as operações foram declaradas à Receita Federal e à Junta Comercial.
Em fevereiro de 2025, a Maridt vendeu a outra metade do empreendimento ao advogado da JBS Paulo Humberto Barbosa. No mesmo mês, Leite comprou o fundo Arleen. A Egide I foi registrada em março nas Ilhas Virgens Britânicas e passou a ser a única empresa investida pelo fundo, que tinha R$ 34 milhões em cotas.
A PF afirma que Toffoli pode ser o beneficiário final do Arleen e que as apurações sugerem o uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, incluindo movimentações envolvendo a Egide I.
Contrato do apartamento
O contrato de compra foi assinado em 4 de março de 2025, por US$ 3.648.750,00, dividido em três pagamentos: um adiantamento de US$ 729,7 mil, uma parcela de US$ 729,7 mil em março de 2026 e US$ 2,18 milhões no fechamento do negócio, ainda sem data exata.
A documentação foi assinada por um diretor de empresas de Leite. Registros da Junta Comercial de São Paulo indicam que ele reside na Vila Mariana, na zona sul da capital paulista, em um apartamento comprado por R$ 950 mil em 2016.







