BRASÍLIA — Mensagens extraídas do celular da lobista Roberta Luchsinger indicam que ela esteve no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, e utilizou avião da Força Aérea Brasileira (FAB) em deslocamentos para Brasília.
Em 24 de março de 2023, Roberta escreveu à mãe que havia viajado à capital federal de “aero lula”. Dois dias antes, ela havia registrado entrada no Planalto às 15h37, acompanhada do empresário Sergio Roberto Melo Bringel, diretor do Grupo Bringel. Também foram identificados outros 40 encontros da lobista em órgãos do governo federal sem registro nas agendas oficiais das autoridades.
Em uma conversa de 11 de junho de 2025 com uma advogada identificada como “Dra. Camila”, Roberta afirmou que estava no palácio e que se encontrava na sala ligada ao filho do presidente. Lula declarou, em sabatina, que nunca a viu, embora existam fotos dos dois juntos.
Ao todo, Roberta fez oito visitas ao Planalto. Em 9 de março de 2023, esteve no gabinete de Alexandre Padilha, então ministro da Secretaria de Relações Institucionais. Em julho daquele ano, entrou no edifício com Fernando Bittar, então sócio de Fábio Luis da Silva, o Lulinha.
Outra mensagem, de 21 de fevereiro de 2024, indica que Roberta retornava de uma viagem em FAB após uma reunião final da ONU. Na conversa, ela mencionou problemas com voos e cancelamentos antes de afirmar: “Mas estamos voltando de FAB”.
Relação com Lulinha
A Polícia Federal afirmou em relatório que Roberta demonstrava ter autorização para agir em nome de Lulinha. Em uma conversa com um interlocutor envolvido na prospecção de negócios junto ao governo federal, ela disse: “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fabio”.
A defesa de Roberta criticou a divulgação de informações da investigação e afirmou que o Ministério da Justiça deveria apurar supostos vazamentos. A defesa de Lulinha classificou as informações como mera ilação.







