BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom sobre segurança pública durante uma cerimônia no Rio de Janeiro, em meio ao avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. O governo federal formalizou acordos de cooperação técnica e convênios de integração com o governo estadual e a Prefeitura do Rio.
Lula defendeu investimentos nas forças de segurança, o reforço da proteção das fronteiras e a participação dos municípios na política de segurança. Segundo o presidente, uma cidade com a extensão do Rio não deveria ficar sem uma polícia própria autorizada a portar armas.
O discurso também abordou o controle de áreas dominadas pelo tráfico de drogas. Lula afirmou que a parceria entre governo federal, Estado e município poderia retirar o Rio de Janeiro das páginas associadas à corrupção e à dominação do crime organizado. “Não tem sentido um bandido mandar numa favela”, disse.
Segurança como tema eleitoral
A mudança de tom ocorre em um cenário no qual Flávio aparece à frente de Lula ou numericamente próximo dele em levantamentos recentes. Pesquisa BTG/Nexus divulgada no fim de agosto mostrou que 52% dos entrevistados consideravam Flávio capaz de enfrentar a segurança pública, enquanto 40% apontaram Lula.
O Datafolha de maio registrou que 16% dos entrevistados viam a segurança pública como a área em que o governo havia tido o pior desempenho. O tema ficou à frente de saúde, com 15%, economia, com 13%, e combate à corrupção, também com 13%.
Em levantamento Ipsos/Ipec divulgado no fim de junho, a atuação do governo na segurança teve 47% de avaliações negativas. O índice ficou abaixo apenas do registrado para controle e corte de gastos públicos, com 51%.
O Rio de Janeiro tem relevância política para o bolsonarismo. Em 2018, Jair Bolsonaro recebeu mais de dois terços dos votos no segundo turno no Estado, enquanto Fernando Haddad teve 32,05%. Em 2022, Bolsonaro alcançou 56,53% no Rio, contra 43,47% de Lula.
Na segunda-feira, 14, a pesquisa Quaest mostrou Flávio numericamente à frente, com 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula. O levantamento indicou empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais.
Na quinta-feira, 17, Atlas/Bloomberg apontou 47,2% para o senador e 46,8% para o presidente, com margem de erro de um ponto porcentual para mais ou para menos. No mesmo dia, o Datafolha indicou empate técnico: Lula apareceu com 46%, ante 44% de Flávio.
Divergência sobre classificação de facções
Durante o evento, Lula rejeitou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. “Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas como diz o Trump”, afirmou.
A posição é diferente da defendida por Flávio, que apoiou a medida adotada pelo governo de Donald Trump. Em março, o senador defendeu que PCC e CV fossem classificados como organizações terroristas e, dois meses depois, afirmou ter pedido pessoalmente ao presidente americano que adotasse a medida.
O discurso desta sexta-feira também contrastou com uma declaração de Lula durante viagem à Indonésia, em outubro de 2025. Na ocasião, o presidente disse que traficantes eram vítimas dos usuários, ao criticar a política de Trump de combater cartéis do narcotráfico na América Latina. Depois da repercussão, afirmou que a frase havia sido mal colocada e reafirmou oposição aos traficantes e ao crime organizado.







