O economista Maurício Moura avalia que a eleição presidencial pode ser decidida no primeiro turno e considera provável uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), embora também veja como real a possibilidade de um segundo turno entre o senador e Lula.
Moura, fundador do instituto Ideia, professor da Universidade George Washington e sócio do fundo Zaftra, afirma que três fatores podem antecipar a definição: a concentração do campo da esquerda em Lula, o chamado “antipetismo de chegada” e o aumento da abstenção e dos votos brancos e nulos.
Segundo o economista, Lula está sozinho na esquerda, o que pode aproximar sua intenção de voto da aprovação do governo, registrada em 46,5% na última pesquisa do Ideia. No campo oposicionista, Flávio pode receber votos de eleitores que preferem outros candidatos, mas optam por quem consideram mais capaz de derrotar o PT. Para Moura, esse movimento é difícil de ser captado pelas pesquisas.
A terceira variável seria o desengajamento do eleitorado. Moura diz que esta é a eleição presidencial com menor grau de mobilização desde que começou a acompanhar profissionalmente esse tipo de disputa, em 1998. Ele relaciona o cenário à falta de uma alternativa de esperança econômica e ao endividamento das famílias.
Abstenção e eleitorado decisivo
O economista afirma que a abstenção tende a afetar mais o PT porque alcança principalmente eleitores de baixa renda e escolaridade, grupo mais identificado com o partido. Também observa perda de engajamento entre os jovens, que historicamente formavam uma base importante de Lula.
Na avaliação de Moura, o eleitorado capaz de decidir a disputa reúne pessoas que votaram em Lula em 2022 e depois escolheram Bolsonaro. Esse grupo teria entre 2 e 5 salários mínimos, mais mulheres e empreendedoras, além de eleitores pouco envolvidos com a política. O economista estima esse contingente em 5 milhões de votos, concentrado principalmente nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio e Belo Horizonte.
Para Lula, o desafio seria reduzir a abstenção no Nordeste e aproximar sua intenção de voto da aprovação do governo. Para a oposição, a tarefa seria remobilizar eleitores do Sudeste, incluindo mulheres de baixa renda.
Repercussão nos mercados
Moura diferencia as expectativas do mercado local e dos investidores estrangeiros. No Brasil, afirma haver pessimismo sobre a capacidade de um eventual governo Lula de promover uma reforma fiscal. Um governo Flávio, por sua vez, teria o benefício da dúvida.
Na hipótese de vitória de Lula, o economista prevê pressão sobre o dólar, a bolsa e os juros futuros. Com uma vitória de Flávio, avalia que o dólar poderia cair e a bolsa subir. Ele afirma que o mercado já estaria incorporando o maior favoritismo do senador, citando a apreciação do real e o desempenho da bolsa mesmo com o barril do petróleo a US$ 100.
Moura também considera improvável a vitória de um outsider nesta eleição. Para ele, nomes como Collor e Bolsonaro chegaram a essa fase com intenção de voto e nível de conhecimento mais altos. O cenário atual, diz, é marcado por conformismo.







