São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Documentos liberados expõem suspeitas sobre viagens e pagamentos a servidores do BC

Relatórios da PF descrevem viagens, jantares e repasses ligados a Daniel Vorcaro e a dois servidores do Banco Central.

Documentos liberados expõem suspeitas sobre viagens e pagamentos a servidores do BC

O ministro André Mendonça retirou nesta quinta (10) o sigilo de parte dos documentos relacionados ao Banco Master, em medida determinada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. A decisão antecede a sessão prevista para a próxima terça (15), quando o plenário deve avaliar um relatório da Polícia Federal e o pedido da Procuradoria-Geral da República para anulá-lo.

Entre os documentos liberados, a PF descreve diálogos que indicariam o custeio de viagens e jantares internacionais pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização da instituição. Os dois são acusados pela polícia de atuar em favor do Banco Master.

Viagens e despesas

Segundo a investigação, Vorcaro teria participado da organização de uma viagem de Belline e da esposa a Paris. Mensagens analisadas pela PF mostram tratativas com prestadores de serviços no exterior para reservas, recepção e logística. O ex-banqueiro também teria indicado um jantar no restaurante Lapérouse e um almoço no Loulou.

A polícia considera que a orientação para pedir vinhos e comida de maior valor seria um indício de que Vorcaro arcaria com os eventos. O relatório registra que Belline e a mulher estiveram em Paris no período das mensagens, mas não aponta outras despesas pagas nem os valores envolvidos.

No caso de Paulo Sérgio, a PF identificou elementos que apontariam para o financiamento de uma viagem com a família à Disney, nos Estados Unidos. A defesa afirma que ele pagou passagens, hospedagem, ingressos, moeda estrangeira e gastos no cartão. Também disse que a viagem estava planejada para as férias escolares de janeiro e fevereiro de 2024.

Conforme os advogados, Vorcaro ofereceu, no dia do embarque, uma vaga remanescente em um pacote de acesso prioritário à Disney e à Universal. Paulo Sérgio teria pago US$ 8.000 em espécie, nos Estados Unidos, a uma pessoa indicada pelo ex-banqueiro. A defesa afirma que ele não sabia de eventual pagamento de US$ 38 mil a Leonardo Giunchetti e que não participou da transação.

Repasses sob investigação

A PF também afirma que Belline receberia R$ 500 mil por mês do Banco Master. Comprovantes anexados ao processo registram repasses que somam R$ 3,8 milhões. A polícia interpreta os pagamentos como destinados a favorecer o banco; o servidor e os responsáveis pelos repasses dizem que os recursos financiavam um programa de treinamento financeiro para jovens.

O advogado de Belline, Leonardo Palazzi, afirmou que o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, confirmou a atuação funcional e institucional do cliente. A defesa nega influência de Vorcaro sobre o servidor. A defesa de Paulo Sérgio sustenta que as despesas da viagem foram pagas integralmente por ele. A defesa de Belline foi procurada na madrugada desta sexta (11), mas não respondeu até a publicação.

No relatório, a Polícia Federal afirma que os dois servidores teriam atuado repetidamente na defesa de interesses privados de Vorcaro, com orientação técnica, revisão de documentos destinados ao próprio Banco Central, repasse de informações internas e participação em reuniões extraoficiais. A corporação sustenta que essas ações teriam ultrapassado os limites das atribuições funcionais no BCB.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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