São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Dino critica abertura de processo contra Moraes sem análise de outros citados

Ministro do STF classificou como seletivo o combate à corrupção e questionou a transferência da relatoria para Edson Fachin.

Dino critica abertura de processo contra Moraes sem análise de outros citados
Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou nesta terça-feira, 15, a abertura de um processo contra Alexandre de Moraes sem previsão para a análise de outros citados. Para Dino, a condução do caso representa um combate seletivo à corrupção.

A discussão ocorreu durante o julgamento de uma petição que aponta supostas conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dino afirmou que há dezenas de pessoas citadas em casos que considera graves, incluindo integrantes de funções essenciais à administração da Justiça, do Ministério Público e da advocacia.

“Por que um vai abrir o processo hoje, e os outros, um outro, que seria o ministro André (Mendonça), na próxima, e os outros, sabe Deus quando?”, questionou. Segundo ele, não há data definida para a análise dos demais casos.

Relatoria e institucionalidade

Dino também apresentou uma questão de ordem contra a transferência da relatoria para o presidente do STF, Edson Fachin. O processo estava sob a condução do ministro André Mendonça.

Na avaliação de Dino, Fachin usou de forma indevida a avocatória, instrumento previsto no Código de Processo Penal para restabelecer a competência do STF sobre um processo que estava sendo analisado por juízes ou tribunais inferiores.

O ministro afirmou que a quebra da institucionalidade, mesmo quando associada a fins legítimos, compromete o papel do Direito e a natureza da atividade judicial. Para ele, a seletividade no combate à corrupção é uma característica brasileira e produz mais comoção em alguns casos do que em outros.

Dino também citou a Operação Lava Jato. Ele reconheceu a importância jurídica de decisões tomadas no âmbito da operação, mas afirmou que ela também resultou em desastres institucionais.

Por fim, defendeu que o Judiciário tire lições dessa experiência. Segundo o ministro, existem no STF processos que permanecem sem definição, os quais chamou de “processos zumbis”. Nesses casos, afirmou, teriam sido sacrificados os ritos, as formas e o devido processo legal.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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