SÃO PAULO — A defesa da empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up, afirmou neste domingo, 13, considerar positiva a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de retirar o sigilo de documentos de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo.
A apuração envolve o Instituto Conhecer Brasil, a Academia Nacional de Cultura e um contrato celebrado com a Prefeitura de São Paulo. As duas entidades são ligadas a Karina, que também é responsável pela produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O material foi tornado público por Dino e passou a ser analisado no âmbito da investigação conduzida no Supremo sobre possíveis irregularidades no uso de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A suspeita é de que parte dos valores destinados às entidades tenha sido usada de forma irregular para financiar o filme.
Em nota, a defesa afirmou que a transparência interessa à Justiça, à sociedade e à própria empresária. Também declarou que Karina apresentou voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentos e negou que ela tenha cometido ilícitos.
“Investigar é legítimo. Esclarecer é do interesse de todos”, afirmou a defesa, acrescentando que investigação não equivale a acusação ou condenação e que a repercussão política não pode substituir o devido processo legal.
A defesa disse ainda que Karina continuará colaborando com as autoridades e exercendo seu direito de defesa. Segundo os advogados, contratos, pagamentos, documentos e demais circunstâncias devem ser examinados tecnicamente, dentro da legalidade e sem influência de disputas políticas ou de narrativas previamente construídas.
A investigação teve novo desdobramento na quinta-feira, 10, quando a Polícia Federal deflagrou uma operação autorizada por Dino contra investigados ligados ao caso. A apuração também envolve possíveis irregularidades em repasses associados ao banqueiro Vorcaro e ao financiamento do filme, conforme os elementos investigados pelas autoridades.







