BRASÍLIA — A campanha de Lula passou a concentrar esforços na mobilização de grupos organizados de fãs e na apresentação de propostas de governo, em meio ao empate apertado com Flávio Bolsonaro. A estratégia inclui mais viagens, entrevistas e publicações para ativar eleitores já favoráveis ao presidente e alcançar o público jovem.
A Secretaria de Juventude do PT criou conteúdos para redes sociais com referências a artistas que já haviam declarado apoio a Lula. Entre os materiais apareceu o grupo “Anitters com Lula”, ligado à cantora que manifestou voto no presidente em 2022. Marina Sena e Luísa Sonza também tiveram imagens utilizadas em publicações desse tipo.
A iniciativa foi planejada para estimular o compartilhamento dos conteúdos pelos próprios fãs. O primeiro post da série usou o aniversário de Beyoncé como gancho e apresentou um fã-clube da cantora em um carrossel de fotos. A seleção prioriza artistas associados a pautas de esquerda ou que tenham demonstrado apoio a Lula em eleições anteriores.
Um integrante da campanha afirmou que os fãs de Ana Castela não foram incluídos nas publicações. A cantora já fez declarações interpretadas como favoráveis a pautas bolsonaristas e aparece em fotos ao lado de nomes da direita, como o deputado Nikolas Ferreira.
Articulação com fã-clubes
Na sexta-feira (18), a Secretaria de Juventude do PT anunciou uma “plenária com fandoms”. O formulário de inscrição informa que o encontro tratará da articulação nacional com fã-clubes para a reeleição de Lula.
A aproximação ganhou força depois de um evento no Palácio do Planalto que recebeu grupos de fãs durante a sanção de uma lei que tornou obrigatória a oferta gratuita de água potável em eventos com mais de 1.000 pessoas. A participação foi articulada pela deputada federal Erika Hilton.
Os fã-clubes foram convidados após a morte de uma fã em decorrência do calor durante um show de Taylor Swift no Rio de Janeiro, episódio que impulsionou o debate sobre a infraestrutura de eventos desse porte.
Economia e segurança na campanha
A orientação para a etapa final é ampliar a militância, divulgar as propostas de Lula e contrastá-las com a avaliação de que Flávio Bolsonaro não apresentou medidas concretas para um eventual governo.
Economia e segurança pública começaram a aparecer nas redes e nos programas eleitorais conforme a disputa avançou. Na quinta-feira (17), o programa de Lula abordou pela primeira vez o preço dos alimentos e os Microempreendedores Individuais.
O vídeo associou a alta dos preços a decisões do governo de Bolsonaro e exibiu imagens de um prato vazio e de ossos com carne passada, em referência à “fila do osso” da eleição de 2022. Os primeiros programas haviam priorizado a soberania nacional, com defesa da exploração de minerais críticos e de terras raras no país, sem interferência estrangeira.








